Quarta-feira, Julho 15, 2009

Curtas # 70 - "Alien" Reboot


Segundo o site gringo Blood Disgusting, a 20th Fox pretende dar um re-up na franquia "Alien". Na minha modesta opinião, os filmes da série Alien mantiveram uma certa qualidade, que acabou indo por água abaixo nos crossovers com Predador. Este último será refeito (com algumas alterações e se chamará "Predators") por ninguém menos que Robert Rodriguez (este eu boto fé!).

Quanto a refilmagem de "Alien", segundo o próprio BD são apenas boatos, mas daqueles que se concretizam. Até um nome pra direção já é mencionado: o desconhecido Carl Rinsch. O certo é que a turma do Ridley Scott estará dando o apoio....



Curtas # 69 - "Matadores de Vampiras Lésbicas"



Hilário até no título, "Matadores de Vampiras Lésbicas" cumpre o seu papel básico de divertir. Com ares de TRASH (a boa edição e os efeitos razoáveis apaga esta impressão), o filme capricha nos diálogos e nas situações. Na trama, dois legítimos nerds vão acampar numa região remota onde todas as donzelas estão amaldiçoadas: ao completarem 18 anos se transformam em vampiras lésbicas!!!! A dupla de perdedores terão que enfrentar ainda a vampira mestre em pessoa: a lendária Carmilla.

Pontos Positivos: diálogos, como um que sugere que se existem vampiras lésbicas, também devem existir lobisomens gays!

Pontos Negativos: o sangue das vampiras é branco e limpo. Poucas cenas de nudez, pra não dizer nenhuma (esperava-se mais, pelo título).

Crítica no Boca:

Site Oficial:

Trailer:

Terça-feira, Julho 14, 2009

Curtas # 68 - Revista Zingu! # 33

Está no ar a edição 33 da Revista Eletrônica Zingu!, com um especial sobre o Cinema Marginal Baiano e um dossiê sobre o cineasta André Luiz Oliveira, no qual tive o prazer de colaborar com um texto sobre o até então desconhecido pra mim "Louco Por Cinema" (muito bom por sinal).

Destaque para uma resenha especial sobre o lançamento em DVD do "Encarnação do Demônio", do Mojica.

Prestigiem:

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Curtas # 67 - Em DVD: O Último Trem


A Universal lançou recentemente o ótimo "O Último Trem". Péssimo título para a adaptação do ótimo texto do escritor americano Clive Barker, criador de "Hellraiser" e "Candyman". O original, "The Midnight Meat Train", traz implícito aquilo que o filme materializa: sangue, muito sangue. O filme esbanja marteladas, facadas, olhos, dentes e unhas arrancadas. Tudo amarrado numa boa história, que lembra algumas vezes "Hellraiser". Destaque ainda para a interessante trilha sonora, bem diferente da maioria das produções made in Hollywood.

Leia dois ótimos artigos no Boca:

Trailer:

Sábado, Julho 11, 2009

Curtas # 66 - Trailer "Gamer"

Mistura de ação e Sci-fi, com previsão de estréia para setembro/2009, "Gamer" promete ser uma das boas supresas do 2° semestre de 2009. Pelo elenco, que inclui, além do Gerard Butler ("300"), nosso queridíssimo Michaael C. Hall (isso mesmo o Dexter, da série de mesmo nome), em seu primeiro grande trabalho no cinema. E pela direção de Mark Neveldine, que tem no currículo o insano e punk "Adrenalina". A trama lembra um pouco "O Sobrevivente", filme estrelado pelo Schwazenegger inspirado num roteiro de Stephen King. O trailer, que mostra cenas de ação desenfreada ao som do Marilyn Manson e sua versão de "Sweet Dreams", emploga bastante...

Sábado, Julho 04, 2009

Curtas # 65 - Pequena Reflexão Sobre Transformers 2


Um amigo me contou um diálogo do filme nacional "Apenas o Fim", onde um casal discute sobre cinema. A namorada pergunta se o namorado quer apenas irritá-la quando afirma que Transformers é melhor que todos os filmes do Godard juntos. O namorado responde naturalmente, questionando se existe alguma coisa mais legal do que carros que viram robôs gigantes?

Eu digo: existe, são robôs gigantes e a morenassa Megan Fox correndo de shortinhos pra cima e pra baixo. Não tem roteiro. Não tem emoção. Mas tem robô, mulher, carro, moto, explosão, tiro, piadas...

Deus salve o cinema pipoca!!!!

Terça-feira, Junho 16, 2009

Curtas # 64 - Zingu! e o Cinema de Bordas (parte 2)

A nova edição da revista eletrônica Zingu! completa o dossiê sobre Cinema de Bordas. São artigos, entrevistas, críticas e filmografias, que formam um novo documento sobre o assunto. Entre os textos, dois pequenos artigos meus, um sobre um curta filmado em super-8 nos anos 80 chamado "Sangue de Tatu" (uma ficção científica surreal sobre um vazamento na usina niclear de Angra I), dirigido por Marcos Bertoni e outro sobre um langa dramático chamado "O Suicídio", do alagoano Pedro Onofre.

Curtas # 63 - The Bitter Garden of Santo Amaro (novo Mojica)


A produtora One Eyed Films, que está envolvida na mostra SPTerror, anunciou em seu site uma parceria promissora com nada menos do que o nosso José Mojica Marins. Isso mesmo, além de distribuir diversos títulos fora do Brasil, irá produzir um novo filme do famoso coveiro Zé do Caixão, chamado provisóriamente de The Bitter Garden of Santo Amaro. Não sei se isso é bom ou ruim, mas o filme será falado em inglês (mas pelo título, deve ser rodado no Brasil, já que Santo Amaro é um bairro aqui de São Paulo e um santo brasileiro...)

Texto completo retirado do site http://www.oneeyedfilms.com/Website/projects.htm :

SANTO AMARO THE BITTER GARDEN

(Working title)

In development



The first Coffin Joe movie in English

This project will bring to the international screens the idiosyncratic character Zé do Caixão, known in the English speaking world as Coffin Joe, infamous undertaker created by the iconic Master of Brazilian Horror, Director Mojica Marins.

"Mojica Marins is regarded as one of the few auteurs of horror" Kamera Oculta. Director of over forty films during the 60's and 70's, Mojica was one of the most censored artists in Brazil. Known for one creation in particular: the character Zé do Caixão an evil sadistically cruel torturer, characterized by his sartorial style trade mark: black cape, top hat and displaying the longer curling nails anyone has seen!

Zé do Caixão is an unstoppable invocation of an evil ego run riot, preacher of the masses, and Anti Christ - notwithstanding feverishly afflicted by moral issues concerning the meaning of good and evil, a true poet of horror.

Seeking co producers in Canada and Spain.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Curtas # 62 - Mostra SP TERROR

(vale a pena conferir, entre o juri estará a mente por trás do site Boca do Inferno, Marcelo Milici, ao lado do Mestre, José Mojica Marins)

SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico será realizado de 25 de junho a 02 de julho


Serão exibidos cerca de 30 títulos, entre longas e curtas – muitos destes totalmente inéditos no País. O programa consiste de duas mostras competitivas - internacional e iberoamericana , sessão Curtas e Programa Especial (as sessões serão realizadas na Reserva Cultural).


Entre os dias 25 de junho e 02 de julho, as luzes da Avenida Paulistas brilharão mais forte nas salas da Reserva Cultural. As telas do cinema serão tomadas pelo que há de mais fantástico: São Paulo tem um novo Festival, o SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico.

Serão apresentados cerca de 30 títulos, entre longas e curtas, filmes brasileiros e internacionais, trabalhos já premiados e produções absolutamente inéditas no País. Duas mostras competitivas serão realizadas: a internacional e a iberoamericana. Os vencedores, que serão julgados pelos cineastas José Mojica Marins e Dennison Ramalho, além de Erico Borgo e Leopoldo Tauffenbach, receberão troféus. Haverá ainda a mostra especial de filmes considerados definitivos e consagrados na produção nacional e internacional.

‘’O cinema é a mídia mais perfeita para a expressão do fantástico e o cinema fantástico tem apelo a uma grande variedade de públicos que curtem os seus vários subgêneros - do sobrenatural ao terror, de vampiros, zumbis, herói de quadrinho, mitológico, ficção cientifica ao psicotrônico’’, afirma Betina Goldman, idealizadora e diretora do Festival. E completa , “o SP Terror pretende criar uma vitrine eclética indo desde o cinema de arte ao totalmente trash, do sublime ao berrante‘’.

O SP Terror tem, em sua programação, alguns filmes inéditos. Entre outras produções nunca exibidas no Brasil antes estão: Eden Log (dir.: Frank Vestilel), elegante filme francês de ficção científica que tem polarizado a crítica internacional; o britânico Os Matadores de Vampiras Lésbicas (dir.: Phil Claydon); os americanos independentes Dead Girl (dir.: Marcel Sarmiento a Gadi Harel) e Strange Girls (dir.: Rona Marks); Solos (dir.: Jorge Olguin), novo filme do diretor chileno apadrinhado por Guillermo del Toro, o japonês Yoroi Samurai Zombie, (dir.: Tak Sakaguchi) e Os Aparecidos (dir: Paco Cabezas).

Outro grande destaque do Festival é o sueco Deixe Ela Entrar (dir.: Tomas Alfredson), vencedor de 48 prêmios e 11 nominações, inclusive o Melies de Ouro da Federação de Festivais Fantásticos.

Outros filmes incluem o trabalho de jovens Iberoamericanos que vem despontando com novas produções. Um exemplo é o brasileiro Mangue Negro, inusitado filme de zumbis com mensagem ecológica que já conquistou importantes prêmios internacionais para o jovem diretor capixaba Rodrigo Aragão (Prêmio Audiência do Rojo Sangre, na Argentina; Seleção Oficial do Sci Fi London; Melhores Efeitos Especiais e Melhor Novo Diretor Fantástico de Santiago). Outras produções são o argentino Visitante de Inverno (dir.: Sergio Esquenazi) e o inusitadissimo O Gigante Japonês (dir.: Hitoshi Matsumoto).

‘’A experiência do terror no cinema é uma espécie de catarse nervosa. Nos mais importantes festivais internacionais como Sitges (Espanha), Bruxelas (o BIFFF) e Amsterdam (Imagine), que nos inspiraram bastante, é freqüente a platéia reagir com risadas coletivas às cenas mais violentas”, brinca Betina Goldman. Para ela, o Cinema Fantástico chega na hora certa em São Paulo, “cidade que tem grande número de sua população jovem, urbana, informatizada, que assiste cinema de terror como diversão e não como violência”.


SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico
Data: 25 de junho a 02 de julho
Ingresso: R$ 13,00
Sala de exibição: Sala 3 (120 lugares) e Sala 4 (110 lugares)
Classificação indicativa: 10 anos
Sujeito à lotação da sala


Endereço: Avenida Paulista, 900.
Térreo Baixo (entre as estações Trianon Masp e Brigadeiro do metrô)
Tel: (11) 3287-3529


Estacionamento conveniado:
Gazeta Multipark (no subsolo do cinema)
Rua São Carlos do Pinhal, 303
Convênio: R$ 10 válido por 3 horas, de segunda a sexta (com serviço de manobrista)
Sábado, domingo e feriados: R$ 10 para 6 horas


Programação

Competitiva Internacional
Strange Girls - Rona Mark
Deadgirl -Marcel Sarmiento e Gadi Harel
Matadores de Vampiras Lésbicas - Phil Claydon
Os Descendentes - Jorge Olguin
Yesterday - Rob Grant
Humanos - Jacques-Olivier Molon e Pierre-Olivier Thevenin
Yoroi: Zumbi Samurai - Tak Sakaguchi
Eden Log - Franck Vestiel
Deixe ela entrar - Tomas Alfredson

Competitiva Ibero-Americano
Os Aparecidos - Paco Cabezas
36 Passos - Adrián Garcia Bogliano
O visitante de inverno - Sergio Esquenazi
Mangue Negro - Rodrigo Aragão
O proprietario - Javier Diment
O Fim da Picada - Christian Saghaard

Especial
Pervert - Mike Davis
Sex Galaxy - Mike Davis
O Gigante Japonês - Hitoshi Matsumoto
Golem - Carl Boese e Paul Wegener

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Curtas # 61 - R.I.P. David Carradine

O ator David Carradine (o astro da série "Kung Fu" e o vilão de "Kill Bill") foi encontrado morto num quarto de hotel em Bangcoc, onde estava rodando um novo filme. Segundo a polícia local, o ator teria sido encontrado nu com uma corda no pescoço. Uma triste perda para o cinema num momento em que o trabalho do ator estava sendo redescoberto. Descanse em paz, Carradine....

Quarta-feira, Junho 03, 2009

MMs # 02 - "Pelo Amor e Pela Morte"

Um clássico italiano, muito comentado, mas pouco assistido (talvez por ainda ser inédito em DVD por aqui). Um dos grandes méritos de "Pelo Amor e Pela Morte" é a atmosfera onírica, beirando a poesia (destoando em muito da grande maioria dos filmes do subgênero zumbis) e a participação do ótimo Rupert Everett. Dirigido por Micheli Soavi, inspirado numa obra do criador de Dylan Dog, Tiziano Sclavi.

A sequência abaixo é o final do filme (por isso quem ainda não viu, se contenha):

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Curtas # 60 - Dossiê Cinema de Bordas na Revista Zingu!

A revista eletrônica Zingu! deste mês (edição #31) traz a primeira parte de um extenso dossiê sobre o chamado cinema underground, independente, quase caseiro, de bordas. Os três primeiros cineastas abordados são o barbosense Felipe Guerra (colaborador do site Boca do Inferno), o maluco Petter Baiestorf e o grande nome do momento, Rodrigo Aragão (de "Mangue Negro").

Tive o prazer em colaborar com textos sobre a obra (que até então não conhecia) do catarinense Baiestorf. Durante quinze dias mergulhei no universo "insano" e "trangressor" do videasta, assistindo diversos de seus filmes. Uma experiência gratificante, já que é possível identificar um fio de genialidade revolucionária unindo a diversidade de temas que seus filmes abordam, sempre regados a sexo e sangue. Resumindo virei fã do cara.

Aproveitei e também conferi todos os filmes do Guerra, que como eu já imaginava, refletem o bom humor e bom gosto do cineasta. Eu ainda boto fé que o Felipe ainda vai dirigir um blockbuster....

Acessem e confiram:

Terça-feira, Abril 21, 2009

Curtas # 59 - Encarnación del Tinhoso


Este é o novo alucinante curta do também alucinado cineasta catarinense Petter Baiestorf. São sete minutos de loucura mostrando a possessão de um pastor evangélico e a corrosão do seu corpo. Destaque para a maquiagem e a câmera nervosa, em especial a fantástica sequência da "mão". Se você gostou procure conhecer os outros trabalhos do diretor. Ah, detalhes: Petter já dirigiu mais de cem filmes, entre longas, médias e curtas.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

Resenhas # 20 - "Mistério na Colônia"

(Pra quem não sabe, Felipe M. Guerra é um graduado em Filmes de Horror, com especialização em bagaceiras trash italianas e colaborador efetivo do site Boca do Inferno. Como cineasta amador, sua filmografia traz clássicos como os longas "Entrei Em Pânico Ao Saber O Que Vocês Fizeram Na Sexta-Feira 13 Passada" e "Canibais e Solidão", além do média "Patrícia Gennice" e o curta "Mistério na Colônia". Revi recentemente os seus filmes e posso afirmar sem qualquer dúvida que eles são melhores do que muita coisa que rola pelo chamado mainstream cinematográfico.)

 
 
O clássico do cinema amador de sotaque gaúcho, Entrei Em Pânico Ao Saber O Que Vocês Fizeram Na Sexta Feira 13 do Verão Passado, colocou em 2001 o nome do barbosense Felipe M. Guerra em destaque, e proporcionou, dois anos depois, um convite no mínimo inusitado. A produção do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo, encomendou um curta-metragem ao cineasta. Apenas duas condições foram impostas: que o filme fosse rodado ao estilo “Guerra” (leia-se: pouca grana, uma câmera na mão e muito sangue jorrando) e que contasse com o apresentador Luciano Huck como protagonista.

Assim nasceu o curta de sete minutos chamado Mistério na Colônia, rodado em apenas um dia com um orçamento milionário de 100 reais, mas com direito as facadas, motosserras e membros decepados que fizeram tanto sucesso em Entrei em Pânico.

O enredo de Mistério na Colônia é uma homenagem ao clássico dos primórdios do gore Two Thousand Maniacs! (lançado por aqui como Maníacos), dirigido por H. Gordon Lewis em 1964. O global Luciano Huck interpreta um médico carioca que viaja para Nova Velha, uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul onde todos os habitantes são canibais. A avó do cineasta, a Sra. Oldina de Monte (O Quatrilho), é a única atriz profissional do elenco, que conta ainda com Rodrigo M. Guerra (irmão do cineasta e um dos astros de Entrei em Pânico...), Álvaro Guerra e Enio Martin Biancho. A fictícia Nova Velha é na verdade Carlos Barbosa-RS, cidade natal do cineasta.

O curta foi apresentado ao público pela primeira vez numa sessão aberta realizada paralelamente ao Festival de Gramado de 2003 e exibido posteriormente no programa Caldeirão do Huck. No entanto, apesar de toda exposição na mídia, Mistério na Colônia apresenta certas irregularidades que denunciam um Felipe pouco à vontade e até certo ponto contido. A própria presença do Luciano Huck, que demonstra não ter a mínima vocação para interpretar, causa certo estranhamento e incômodo no espectador, pois fica difícil assimilar uma produção amadora estrelada por um rosto tão conhecido como o do apresentador.

Mas felizmente, no ano de 2008, o cineasta gaúcho se redimiu e reeditou Mistério na Colônia para uma exibição no Fantaspoa (Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre). Desta vez com mais tempo e um computador para edição, Felipe melhorou consideravelmente a trilha sonora, acrescentou cenas que corrigiram alguns buracos no roteiro da versão anterior e ainda alterou o desfecho para um final bem mais pessimista (e interessante), literalmente queimando o ator Luciano Huck, o que deixa qualquer amante do cinema, seja amador ou não, com um grande sorriso no rosto.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Curtas # 58 - Um Trailer para "O Anticristo"


Em primeira mão, o trailer do filme "O Anticristo", que está sendo dirigido pelo dinamarquês Lars Von Trier. Conhecido por ignorar os padrões cinematográficos vigentes, Von Trier pela primeria vez se arrisca no genêro horror, e todos esperam, no minímo, algo que fuja do convencional. Nos idos anos 90, o cineasta foi responsável, junto com Thomas Vinterberg, pelo manifesto Dogma 95, que pregava um cinema mais realista e menos comercial (veja resumo do manifesto no final do post).

Em "O Anticristo", o enredo contará a  história de um casal em crise, vivido por Charlotte Gainsbourg ("Não Estou Lá") e Willem Dafoe ("A Sombra do Vampiro"), que muda-se para uma cabana no meio de uma floresta. Eles buscam uma reconciliação, mas eventos obscuros acabam transportando o casal para um terrível pesadelo.

O trailer em si não mostra nada de excepcional, mas é esperar pra ver. O filme ainda não tem data prevista de estréia nos cinemas brasileiros.

O voto de castidade do Manifesto Dogma 95
1 -As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
2 -O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
3 - A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
4 - O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
5 - São proibidos os truques fotográficos e filtros.
6 - O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
7 - São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
8 - São inaceitáveis os filmes de gênero.
9 - O filme deve ser em 35 mm, padrão.
10 - O nome do diretor não deve figurar nos créditos.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Música # 02 - Zumbis, Apocalipse e METALLICA


"Death Magnetic" marca a volta do Metallica ao mundo dos vivos em grande estilo. As canções épicas com rifes pesadíssimos, a bateria frenética e o vocal inconfundível demonstra um certo retorno às raízes menos comerciais da banda, o que agradou grande parte dos fãs e da crítica.  

O mais instigante do video mostrado no início, da canção "All Nightmare Long", é que supostamente ele misturaria realidade e ficção. Nele teriam sido usadas imagens reais de um documentário sobre um médico russo que fazia experiências com a reanimação de tecidos mortos. Isso mesmo, estamos falando de zumbis!

A "histórinha" é a seguinte: a explosão de Tunguska dá início a trama. Sei, você não faz idéia do que seja Tunguska. Eu também não sabia. Mas nada que uma consulta ao oráculo Google não resolva: numa bela manhã do dia 30 de Junho de 1908, um OVNI (se ninguém sabe o que é e voa, então é um objeto voador não identificado) cruzou os céus da Sibéria e se espatifou num local chamado Tunguska. O misterioso é que apesar do impacto ter devastado o local, não foi encontrada nenhuma cratera ou sinal de meteorito. Os cientistas que estudaram o caso especulam que a energia liberada pela explosão ultrapassaria os 20 Megatons (potência equivalente a mil bombas de Hiroshima). Uma região de 2150 km² foi afetada, cerca de 80 milhões de árvores foram destruídas e um terremoto em torno de 5 pontos na escala Richter foi registrado. Até aqui tudo seria verdade e existiriam até fotos que comprovam o evento, mas, acredite quem quiser.

Agora vai a parte que seria fantasia: o fenômeno de Tunguska teria trazido um organismo alienígena capaz de produzir esporos que poderiam reanimar tecidos mortos. Anos depois, os soviéticos usariam tais "esporos" como uma arma terrorista, espalhando-os pelos Estados Unidos. Com o caos instalado em solo norte-americano e o capitalismo selvagem ido por água abaixo, os triunfantes comunas oferecem ajuda "humanitária" aos ianques, que aceitam. Robôs gigantes são enviados e restauram a ordem em solo americano, ou melhor, em território pertencente agora a União Soviética. 

Este é o sensacional video “All Nightmare Long”, do Metallica. As supostas imagens reais pertenceriam a um documentário produzido na antiga União Soviética mostrando as experiências de um tal Doutor Sergei Bryukhonenko, que incluem cabeças de cachorros mortos mantidas vivas artificialmente. 

Verdade ou fantasia? Quem liga? O que vale mesmo é ver o Metallica em forma, trazendo de volta o bom e velho estilo que consagrou a banda como uma das melhores do planeta.

Terça-feira, Março 31, 2009

Música # 01 - Nick Cave a as Sementes Más (Parte 1)


 (Este post foi publicado inicialmente no blog Gramofone Virtual)

Nick Cave nasceu Nicholas Edward Cave numa pequena cidade da Austrália em 22 de Setembro de 1957. What? Você não sabe quem é Nick Cave? A voz mais gutural do rock mundial?

Então vamos a uma rápida apresentação e de imediato uma correção: Cave e sua banda, The Bad Seeds, tiveram a carreira vulgarmente (e equivocadamente) associada pelos críticos de plantão ao rock'n roll gótico dos idos anos 80. No entanto, apesar das canções que falam de amor, morte, crimes e melancolia, a faceta lúgubre do compositor australiano esconde um verdadeiro gênio musical, muito comentado, mas pouco ouvido e entendido em terras tupiniquins.

No cinema, além de compor trilhas sonoras, Cave atuou no faroeste “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007) e escreveu o roteiro original do imperdível “A Proposta” (2005).

Com mais de quinze discos lançados, uma dica para os novos adeptos ao som de Nick Cave é a coletânea The Best of Nick Cave & The Bad Seeds, lançada em 1999. Quem garimpar em lojas especializadas e estiver com um pouco de sorte pode conseguir a primeira edição, um álbum duplo que traz como bônus uma apresentação ao vivo chamada Live At The Royal Albert Hall, gravada em 1997. Vale ressaltar ainda que a distribuidora nacional Paradoxx Music lançou toda a discografia de Nick e The Bad Seeds no Brasil.

Voltemos à biografia. Nick Cave nasceu Nicholas Edward Cave numa pequena cidadade da Austrália em 22 de Setembro de 1957. Cave conheceu, ainda na adolescência, o multinstrumentista Mick Harvey. Amigos de escola, rapidamente formaram uma banda, o The Boys Next Door (cujo som foi influenciado por uma banda australiana chamada The Saints). Em 1978, o baixista Tracy Pew e o baterista Philip Cavert juntam-se ao grupo, que lança o single These Boots Are Made For Walking, inspirados pela canção de mesmo nome interpretada por Nancy Sinatra (essa mesmo, filha do Frank Sinatra. O quê?? Não sabia que a filha do ator/cantor americano seguiu os passos do pai?? Talvez você se lembre da balada-western Bang Bang, parte da trilha do filme “Kill Bill”, do Tarantino). A rotina de Nick em início de carreira era semelhante aos primeiros anos de qualquer banda de rock, pequenos shows em bares e casas noturnas, pouca grana e muita dificuldade. Mas os rapazes insistiram e lançaram ainda em solo australiano um álbum chamado Door Door e um EP, o He-Haw. No entanto, apesar de todo o esforço, o cenário musical local oferecia poucas oportunidades. Nesse momento (meados de 1980), Nick chamou os amigos, pegou um avião e fugiu para Londres. The Boys Next Door virou The Birthday Party e imediatamente lançaram um álbum cujo título era o novo nome da banda. Nem preciso falar que hoje em dia este disco é uma raridade e objeto de colecionador estimado em alguns milhares de dólares.

Mas as dificuldades ainda persistiam e as primeiras apresentações do The Birthday Party na Terra da Rainha causavam certo estranhamento no público local. O cenário, dominado pelo pós-punk, parecia não estar preparado para a ruptura proposta por Cave, que já apresentava os traços característicos que marcariam o Bad Seeds, como o instrumental cru, as apresentações caóticas e o vocal imponente e inigualável. Em 81, a banda assina com o então desconhecido selo 4AD (que futuramente revelaria bandas do naipe do The Pixies). O The Birthday Party lançaria dois discos pela gravadora: Prayers on Fire (1981) e Junkyard (1982). Ainda neste ano, eles saem em turnê pela Alemanha com a banda industrial Einstüzende Neubauten, do guitarrista Blixa Bargeld. Este é um momento de grande importância para o que viria a ser o Bad Seeds, já que Cave acaba grande amigo de Blixa, futuro guitarrista das Sementes Más. Mais uma mudança. Ainda em 82, Nick e sua banda se transferem para Berlim, motivado pela boa recepção da turnê e aproveitando para fugir da polícia londrina que estava de olho nos deslizes da banda envolvendo alguns excessos com o álcool e as drogas. Gravam em solo alemão os EPs The Bad Seed e Munity!, mas no final de 1983 acabam se separando.

Cave volta para a Austrália, onde desaparece e desiste da carreira musical por uns tempos. Mas em 1984, Harvey convence o amigo a formar uma nova banda, chamada de The Bad Seeds (o nome foi tirado de um filme homônimo de 1956). O The Bad Seeds é formado, por Blixa Bargeld na guitarra, Barry Adamson (multinstrumentista), Anita Lane (uma poetisa!), Hugo Pace (guitarrista) e Nick Cave no vocal.

Cave ainda escreve, neste mesmo ano de 1984, o roteiro e a trilha para o filme “Ghosts... Of The Civil Dead”, dirigido por Evan English e John Hillcoat, lançado apenas em 1988. As Sementes Más lançam o seu primeiro disco, FItálicorom Her to Eternity, ainda em 1984. A faixa-título é uma das canções que se destacam, além do cover de Elvis Presley, In The Ghetto. O disco é definido pela crítica como opressivo, obsessivo e sufocante. As letras passeiam por ambientes sórdidos e sombrios. O álbum apresenta bons momentos, como a claustrofóbica Cabin Fever, a épica Saint Huck e a inusitada (e bizarra) recriação de Avalanche, de Leonard Cohen. FItálicorom Her to Eternity seria regravada em 1987 para o filme "Asas do Desejo", de Wim Wenders.

Ok. Muitas palavras e pouca música. Escutem abaixo duas interpretações de Nick Cave. Primeiro uma performance rara da banda The Boys Next Door, com Shivers e em seguida o clipe do maior hit do compositor: Do You Love me? (prestem atenção no início do clipe)

Domingo, Março 29, 2009

MMs # 01 - "Cova Rosa"

Este primeiro post desta nova seção (Melhores Momentos) é uma homenagem ao inglês Danny Boyle pelo conjunto da obra. Tudo bem que o cineasta já ganhou uma "sacola" de estatuetas em 2009 pelo drama "Quem Quer Ser um Milionário?", mas um prêmio inédito para o rapaz era uma homenagem do Nocturnia-z. Brincadeiras a parte, Danny construiu uma filmografia respeitável ao longo de uma carreira razoavelmente curtaNegrito. Destaques para o terror "Extermínio", a ficção científica "Sunshine - Alerta Solar"

O vídeo abaixo é a sequência final de "Cova Rasa", a estréia de Boyle nos cinemas (filme que tive o prazer de ver na tela grande em 1994, o ano que vim morar aqui em São Paulo). Boyle estreou em grande estilo, com um suspense tarantinesco cheio de reviravoltas. Seu primeiro longa já trazia uma de suas marcas registradas: a trilha sonara caprichada e a edição moderna com cortes e planos ousados. Pra quem não assistiu o filme, não preciso avisar que "a sequência final" contém SPOILERS, ok?


Quinta-feira, Março 26, 2009

Editorial # 01 - Em Reforma

Após três anos no ar, o Nocturnia-Z passará os próximos dias em reforma. Mudanças de layout, estrutura, organização e conteúdo. A idéia é uma transformação também no formato dos posts, que deverá assumir um tom menos impessoal, mais autoral e mais direto. 

Aproveitando este editorial, gostaria de anunciar a gênese de um novo blog, o Gramofone Virtual idealizado pelo amigo e viciado em música Igor Ripari: 

Neste novo blog o assunto principal é música, a partir da música dispararemos "gramofonias" para todos os lados. Colaboram com o Gramofone Virtual, além do Igor Ripari, seu irmão cineasta-cinéfilo-crítico-músico Ícaro Ripari e este aqui que vos fala. 
Por fim, virão outras novidades. Aguardem.

João Pires Neto

Sexta-feira, Março 13, 2009

Curtas # 57 - "It" vai para o cinema!


Um dos melhores livros do Mestre Stephen King (segundo seus próprios fãs) será levado aos cinemas pela Warner, com roteiro de Dave Kajganich ("Invasores").

É esperar pra ver. O livro, que tem mais de mil páginas, já foi explorado pela TV em 1990, com uma minisérie que se chamou por aqui "It - Uma Obra-Prima do Medo".  Na trama, um grupo de amigos enfrenta, depois de adulto, um palhaço chamado Pennywise, uma espécie de monstro que assassinou várias crianças.

Fonte: www.guardian.co.uk

Divulgação: Cineclube Phobus

Pra Galera do Rio de Janeiro:

Único cineclube brasileiro dedicado exclusivamente a filmes Trash, B, Midnight, Low-Budget e ladeira abaixo!
O nome é uma homenagem ao diretor mineiro trash Luís Renato Brescia e ao seu único filme de longa-metragem finalizado, “Phobus, o ministro do diabo”, produzido entre 1965 e 1970.
Sessões quinzenais, gratuitas, aos sábados, de 16h às 18h, no SESC Tijuca.Rua Barão de Mesquita, 539.
Organizadores: Cineclube Tela Brasilis, The Dark One Productions, Ballado Produções BRV E Filmes, Marcus Timbricius, Vinícius Norske e Marcelo Von Dort.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Curtas # 56 - Uma fábrica de dinheiro chamada Wes Craven


Às vésperas da estréia do remake de "Aniversário Macabro" (o brutal e primeiro trabalho profissional de Wes Craven),  que acontecerá na próxima sexta-feira 13 de março nos states, o nome do diretor anda aparecendo em tudo quanto canto cibernético. Primeiro foi anunciado um diretor para a temida refilmagemNegrito do clássico "A Hora do Pesadelo", depois Wes Craven anunciou intenções de produzir uma segunda sequência para "Quadrilha de Sádicos", uma refilmagem para "Shocker - 100.000 Volts de Terror", uma continuação para "Aniversári Macabro" (o remake que ainda nem estreiou), uma refilmagem para o ótimo "As Criaturas Atrás das Paredes"  e, ufa, "Pânico 4". Ah, ia esquecendo, ele está rodando o slasher "25/8", que deverá ser lançado ainda este ano.

No entanto, Wes mostrou-se apreensivo quanto ao resultado da refilmagem do "A Hora do Pesadelo", afirmando que ela dificilmente superaria o original.

Bom, todos estes filmes dependem do sucesso da refilmagem de "Aniversário Macabro ". É esperar pra ver.

Fontes: www.bloodydisgusting.com, www.cinemacomrapadura.com.br, www.bocadoinferno.com e www.imdb.com.

Terça-feira, Março 03, 2009

Curtas # 55 - PQP!! Mais um Remake!!!

"Låt den Rätte Komma In" ou "Deixe Ela Entrar", uma produção sueca interessantíssima, que começou a ser comentada em terras tupiniquis só agora, vai ser refilmado.

O remake começa a ser rodado em Maio e será adaptado e dirigido pelo cineasta Matt Reeves ("Cloverfield"). Na trama um garoto solitário acaba se tornando o melhor amigo de uma menina vampira. Apesar de fazer bonito em todos os festivais em que foi exibido, o filme permanece inédito no Brasil.

A estréia da refilmagem está prevista para Janeiro de 2010 nos States.

NOCTURNIA-Z ACONSELHA: PREFIRA SEMPRE OS ORIGINAIS AOS REMAKES.

trailer do original:


Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Curtas # 54 - Elton John Produzirá Filme de Horror

Acredite se quiser: Sir Elton John, cantor e compositor inglês, irá produzir um filme de terror. O longa, que se chamará "Pride and predator", será um drama com toques de horror que se passará na Inglaterra vitoriana.

Segundo confessou David Furnish (parceiro de John no projeto) a revista Variety, a idéia é rodar um filme ao  estilo dos romances de Jane Austen ("Orgulho e Preconceito"), mas com um pequeno detalhezinho: a presença de um alienígena. O longa será lançado pela produtora de Elton John, a Rocket Pictures e o próprio cantor estará a frente da trilha sonora.

A direção será de Will Clark (do premiado "The Amazing Trousers"), que também escreverá o roteiro ao lado de Andrew Kemble e John Pape.

Toda esta bizarrice parece uma grande piada de mau gosto, mas infelizmente não é. Pois bem amigos, comecem a rezar, por que aí vem bomba!

fonte: Agência Globo

Domingo, Fevereiro 22, 2009

Curtas # 53 - O Horror que vem da TV

"Being Human"
A idéia desta série, produzida pela BBC, é no mínimo interessante: misturar terror, drama e comédia (como nos idos anos 80). Em "Being Human" um lobisomem, um vampiro e uma fantasma dividem um mesmo teto em Londres. Destaque para os bons efeitos especiais e a transformação-homenagem ao clássico "Um Lobisomem Americano em Londres".



"Apparitions"
Surpreendente e impecável produção inglesa (BBC), cujo roteiro mistura de forma brilhante informações reais e ficção. Ousada em alguns momentos por tocar em assuntos polêmicos como aborto, homossexualidade e incesto. A abordagem, séria e sem exageros, evita o uso de efeitos digitais, preferindo os bons e “asquerosos” efeitos de maquiagem tradicionais.

Em resumo, a série mostra o drama do Padre Jacob, que de uma hora para outra, se vê envolvido em uma conspiração satânica de grandes proporções.



Curtas # 52 - Vampiras Lésbicas!!!!


Vampiras!!!!!
Lésbicas!!!!!!!!
Sem comentários.
Estréia prevista para Março de 2009 nos cinemas gringos.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Curtas # 51 - Mais "Inglorious Basterds"

Confiram as primeiras artes promocionais divulgadas para a nova produção de Tarantino:


"Inglourious Basterds" tem estréia prevista para o dia 21 de agosto.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Curtas # 50 - Um poster para "The Crazies", o remake


O site gringo Blood Disgusting divulgou o que seria um dos primeiros posteres da refilmagem do clássico de George Romero "Exército do Extermínio" (The Crazies, 1973). Na trama os habitantes de uma pequena cidade do Kansas enlouquecem após uma contaminação biológica. A refilmagem está sendo dirigida por Breck Eisner e tem Timothy Olyphant e Radha Mitchell no elenco. 

Previsão de estréia nos States para 25 de Stembro de 2009.

Uma curiosidade: o diretor Breck Eisner é o responsável pela aventura "Sahara" e tem como projetos anunciados mais dois remakes: "Flash Gordon" e "O Monstro da Lagoa Negra" (clássicão da Universal).

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Curtas # 49 - "Inglorious Basterds", o novo Tarantino


Nazi bom é nazi morto!!! Nova produção de Quentin Tarantino promete....

Curtas # 48 - Um diretor para o remake de "A Hora do Pesadelo"


Chorem os mais puritanos!! A refilmagem do clássico de Wes Craven "A Hora do Pesadelo" ganha um diretor: o videoclipeiro Samuel Bayer. O recém promovido cineasta é responsável por alguns videoclipes clássicos, como "Smells Like Teen Spirit" (Nirvana) e "No Rain" (Blind Melon).

Ah, quem vai viver o Freddie neste remake? Isto ninguém ainda sabe. O que é certo é que pela primeira vez o molestador de criancinhas e penetra de sonhos não será vivido pelo grande Robert Englund.

O remake de "A Hora do Pesadelo" será produzido pela Michael Bay's Platinum Dunes em conjunto com a New Line com roteiro escrito por Wesley Strick ("Doom - A Porta do Inferno", "Lobo" e "Cabo do Medo")

Sábado, Fevereiro 07, 2009

Curtas # 47 - Stephen King vs Stephenie Meyer



Em recente entrevista para o USA Weekend, o Mestre do Horror alfineta a autora da série "Crepúsculo" e a compara a J.K. Rowling, a criadora de "Harry Potter".

De acordo com Stephen King: “Tanto Rowling quanto Meyer estão falando diretamente aos jovens… A grande diferença é que J.K. Rowling é uma ótima escritora e Stephenie Meyer não consegue escrever muito bem. Ela não é muito boa.”

Alguém mais notou a semelhança entre os nomes: STEPHEN e STEPHENIE?

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Curtas # 45 - A Estrada da Noite



O norte-americano Joe Hill estréia com o pé direito na literatura, recebendo elogios da crítica e já conquistando uma legião de fãs. Seu primeiro livro, a ficção "A Estrada da Noite" (Heart-shaped box) foi lançado em 2008 no Brasil pela editora Sextante. O Horror e o suspense se misturam numa narrativa ágil e atual, cheia de citações ao mundo da música. A trama gira em torno do o cinquentão Judas Coyne, uma lenda do Rock and Roll que coleciona objetos mórbidos: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita "snuff" verdadeira. Quando o maluco fica sabendo de um terno "mal assombrado" leiloado na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta. Por míseros 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, que de quebra traz como brinde o fantasma do antigo dono. Judas não faz idéia da enrascada que se meteu e enfrentar o passado e seus fantasmas pode ser a sua única chance de não passar "dessa para uma melhor".

Só para constar: Joe Hill é filho de ninguém menos que Stephen King. Uma adaptação cinematográfica  de "A Estrada da Noite" já esta em pré-produção em Hollywood. 

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Curtas # 44 - Bilheteria Americana

Assim como no final de semana passada, um filme de terror ocupou uma das primeiras posições nas bilheterias americanas. "The Uninvited", dirigido pelos estreantes Charles e Thomas Guard, conta a história de duas irmãs adolescentes, que após terem alta de uma internação psiquiátrica encontram em casa uma cruel madrasta, um pai ausente e uma sequência de aparições fantasmagóricas.

O filme, que tem a estréia marcada nos cinemas brasileiros no dia 29 de Maio de 2009, ocupou a terceira posição nas bilheterias ianques neste primeiro final de semana de Fevereiro. Só para registrar, o filme é um remake do cult de horror coreano "Medo" ("Tale of Two Systers").

Confiram o trailer:   

Domingo, Janeiro 25, 2009

Curtas # 43 - Bilheteria Americana: Underworld: Rise of the Lycans

"Underworld: Rise of the Lycans" estreou neste final de semana nos Estados Unidos ocupando o segundo lugar na bilheteria e recebendo elogios dos fãs da série. Assim como os dois filmes anteriores, a produção mistura ação e horror e traz Kate Beckinsale no papel da bela vampira Selene. Este terceiro episódio deve narrar a origem dos lobisomens, aqui chamado de Lycans. Estréia prevista em terras tupiniquins no dia 10 de abril de 2009.

Curtas # 42 - Viagens no Tempo

Viajar no tempo sempre foi um tema recorrente no cinema e na literatura de ficção e fantasia. Mas é um tema perigoso, ao mesmo tempo que rende boas histórias pode "desencadear" grandes bobagens. Duas das séries de televisão atuais e de grande prestígio abordam o assunto:  "Lost", com sua ilha mágica e "Heroes", com o herói atrapalhado Hiro, que tem o poder de manipular o tempo. Na última década, pelo menos três filmes tratam do assunto com sucesso e com estilo. Dois a maioria já conhece ("Donnie Darko", que vai ganhar uma sequência ainda este ano, e "Efeito Borboleta"). Outro, mais recente, é a interessante produção espanhola "Los Cronocrimenes". Confira quem puder, antes da inevitável refilmagem americana.

"Los Cronocrimenes" (2007)

"Efeito Borboleta" (2004)

"Donnie Darko" (2001)

Sábado, Janeiro 24, 2009

Curtas # 41 - Preview 2009 - Push

"Heroes" no cinema??? Confiram o trailer do videocliptico "Push":

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Curtas # 40 - Preview 2009

Após uma pausa para término da graduação, cá estamos de novo.

No gênero fantástico 2009 parece não reservar nada de muito novo. Em cartaz nos cinemas o remake de "O Dia em que a Terra Parou". No genêro horror outras refilmagens estrearão, como "Sexta-Feira 13" e "Aniversário Macabro" (os originais são dois grandes clássicos da virada dos anos 70/80). Do papel para o cinema teremos "Watchmen", "Wolverine", "Anjos e Demônios" e "Harry Potter". De novo de verdade, parece que não vem nada....

Talvez as surpresas venham do gênero animação (como aconteceu em 2008 com "Wall-e", preste atenção no trailer de "9", produção de Tim Burton:



Trailers "Sexta-Feira 13" e "Aniversário Macabro" (legendado):

Sábado, Outubro 25, 2008

Curtas # 39 - Novas Séries: Fringe e Knight Rider


Fringe
Nova investida do produtor J. J. Abrams, criador da série "Lost". Embora Abrams negue as inspirações e se irrite quando compara-se esta sua nova produção ao cult "Arquivo X", as semelhanças entre estas séries são muitas. A própria abertura, que mostra imagens que vão se sobrepondo enquanto algumas palavras chaves são exibidas, como precognição, teletransporte e inteligência artificial, parece uma referência a abertura de "Arquivo X". A maior diferença, parece ser que os eventos mostrados em Fringe serem de origem terrena e não sobrenaturais ou extra-terrestres. Embora o episódio piloto tenha recebido muitas críticas, com a exibição de novos e melhores episódios (atualmente foram exibidos 6) a série vai se encorpando com mistérios ao estilo Lost e tramas cabeludas ao estilo "Arquivo X".
A série tem início com um caso surpreendente onde um vôo internacional aterrisa em Boston com toda a tripulação e passageiros misteriosamente decompostos. Em seguida os personagens centrais são apresentados: Olivia Dunham (Anna Torv), uma jovem agente do FBI que, depois de quase perder seu parceiro John Scott (Mark Valley) na investigação do caso, é forçada a trabalhar ao lado do Dr. Walter Bishop (John Noble), um gênio excêntrico que passou as duas últimas décadas trancado em um hospício. Joshua Jackson interpreta Peter, seu filho e a única pessoa capaz de ajudar o FBI a entendê-lo.

Knight Rider
A NBC repaginou a antiga série que foi exibida no Brasil como "Supermáquina". Apesar de alguns bons momentos, esta nova versão apresenta mais defeitos do que virtudes. O elenco é fraco, excesso de efeitos CGI e uma trama pouco inspirada. Como pontos positivos podemos citar a trilha sonora, que apesar de ter sido regravada, ainda é o mesmo tema original; a nova versão do K.I.T.T., que de um Trans Am agora é um Mustang Shelby Cobra Preto capaz de, através de nanotecnologia, mudar de cor e de forma; e a aparição de Michael Knight (David Hasselhoff), no final do episódio piloto. Quem conduz (de vez em quando, por que o carro anda sozinho) esta nova Supermáquina é o filho de Michael Knight, Mike, interpretado pelo sem graça Justin Bruening. Apesar de tudo, a primeira temporada já foi aprovada pela NBC e contará com 22 episódios.

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Curtas # 38 - Back To Life Again

Nos cinemas: "Morte Súbita"

Não, não é a refilmagem daquele filme do Van Damme. Do diretor de"Wolf Creek - Viagem ao Inferno",  "Morte Súbita" está programado para estrear neste dia 24 nos cinemas paulistanos. Mais um filme de jacarézão assassino. Leia resenha completa na atualização deste final de semana do Boca. Confira também:
Artigos do Felipe Guerra sobre "The Midnight Meat Train" e "Plataforma do Medo", mais críticas, promoções e muitas novidades.


Sábado, Agosto 30, 2008

Curtas # 37 - OFF: "Um Crime Americano"

Este é o tipo de filme que faz você pensar: como a vida real é muitas vezes pior que um filme de terror. Inspirado em fatos reais, "Um Crime Americano" narra o drama (e bota drama nisso) de Sylvia Fae Likens (interpretada pela ótima Ellen Page). Sylvia é torturada com crueldade muito maior do que tenho visto na mioria de filmes de terror. Só pra ilustrar, ele é chutada, queimada, chicoteada, cortada entre outras coisas mais bizarras. Impressionante, é que entre os torturadores aparecem até crianças!

Sinopse Oficial:
Baseado na história real que chocou a nação em 1965, o filme reconstrói um dos crimes mais chocantes já cometidos a uma só vítima. Sylvia e Jennie Fae Likens, as duas filhas de um casal que trabalha com um circo são deixadas para uma estadia demorada em Indianápolis, na casa Gertrude Baniszewski, uma mãe solteira com sete crianças. Tempos difíceis, e as necessidades financeiras de Gerturdes, obrigam-na a fazer este arranjo antes de perceber como esta obrigação levará sua natureza instável a um ponto de ruptura.

A abordagem do filme é convencional, mas merece uma conferida. Impossível não se sentir mal na saída do cinema, não pelo gore, mas por imaginar as coisas que o ser humano é capaz de fazer...

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Curtas # 36 - Exposição "A Encarnação do Demônio" no Metrô Sé - SP


A estação de metrô Sé em São Paulo está recebendo uma exposição com peças cenográficas utilizadas na produção do novo longa de José Mojica Marins. O público pode conhecer um pouco do universo do personagem Zé do Caixão e conferir os story boards originais, figurinos, objetos de cena, fotos e ainda páginas da HQ "Prontuário 666".

A mostra fica em cartaz entre 2 e 29 de agosto na estação Sé.

Sexta-feira, Julho 25, 2008

Curtas # 35 - Off-Topic, mas nem tanto: Novo trailer do "Justiceiro"



Sem comentários. Vejam o trailer e entendam o "porquê".




Muito sangue e miolos com previsão de estréia para dezembro nos States.

Quinta-feira, Julho 24, 2008

Curtas # 34 - Dexter - A Mão Esquerda de Deus

O livro que deu origem a série:
Sinopse oficial da Editora:
Dexter Morgan é um educado lobo vestido em pele de ovelha. Ele é atraente e charmoso, mas algo em seu passado fez com que se transformasse numa pessoa diferente. Dexter é um serial killer. Na verdade, é um assassino incomum que extermina apenas aqueles que merecem. Ao mesmo tempo, trabalha como perito da polícia de Miami... Em Dexter, a Mão Esquerda de Deus, o livro que deu origem à aclamada série de TV, o adorável matador depara-se com um concorrente de estilo semelhante ao seu, encanta-se e incomoda-se com ele, prevê seus passos... A escrita requintada de Jeff Lindsay nos faz mergulhar na mente de um dos personagens mais ambíguos da história da literatura de suspense. Nunca o macabro foi tratado com tanto refinamento e leveza. Dexter Morgan é uma obra-prima.

Bom, a série é ótima e o livro não deve ficar atrás. Nas melhores livrarias por uma bagatela média de 40 reais (dá quase pra comprar o box da 1ª Temporada)...

Terça-feira, Julho 22, 2008

Resenhas # 19 - "O Juízo Final"


Aqui, na cozinha do Nocturnia-Z, já lhes demos a receita de como fazer um filme ruim, muito ruim (leiam “O Portão do Cemitério”). Hoje vamos trabalhar numa receita diferente e bem mais interessante: como fazer um filme divertido.

Primeiro pegamos o maior número de idéias de filmes que são cultuados, amados e idolatrados e misturamos tudo, sem medo de ser feliz. No caso, nosso grande amigo cozinheiro Neil Marshall misturou nada menos que “Fuga de Nova York”, “Mad Max”, “Extermínio”, “Rei Arthur” e um pouco de “Resident Evil”. Com a salada já pronta acrescentamos o ingrediente principal da trama: uma protagonista bem apetitosa e invencível. Recheamos tudo com doses de violência e pitadas de conspiração governamental. Cobrimos com uma trilha sonora rock and roll e fechamos o filme com uma fuga alucinante naquele carrão que todo marmanjo sonha, mas nunca vai dirigir.

Obviamente não estamos falando da maior obra-prima do cinema inglês, mas sim de uma produção descompromissada, com bons efeitos digitais, ótima maquiagem e ainda grandes cenas de ação. “O Juízo Final” é o terceiro trabalho do cineasta Neil Marshall (“Cães de Caça” e “Abismo do Medo”) e comprova seu talento na direção. O roteiro, escrito pelo diretor, começa mostrando a Escócia sendo assolada por um vírus chamado Reaper. Os infectados sucumbem em enormes feridas e apodrecem em carne viva. Rapidamente o governo britânico isola a colônia escocesa com enormes muros, deixando todos morrer por lá, infectados ou não. Passam-se três décadas e o vírus Reaper volta a se manifestar, agora em plena capital inglesa. Os governantes então planejam inundar Londres, contendo assim a infecção. Entretanto fotos de um satélite mostram sobreviventes dentro do território escocês, mesmo depois de anos de isolamento. Teriam eles encontrado a cura para o vírus fatal? É aí que entra a agente Sinclair, uma bela morena “de um olho só”. O outro é uma prótese e ao mesmo tempo uma espécie de micro-câmera espiã. O olho-que-tudo-vê transmite imagens para um monitor-de-pulso usado pela garota. Uma evolução do personagem Snake Plissken, criado por John Carpenter em “Fuga de Nova York”, a grande inspiração de Marshall na concepção do roteiro. A agente Sinclair lidera uma equipe militar que deve se infiltrar na antiga Escócia e “fugir” com a cura para a Inglaterra, evitando assim a morte de milhares de pessoas na capital (que morreriam pelo vírus ou afogadas). Bom, o maior problema para a bela caolha não são exatamente os escoceses infectados, mas sim os sobreviventes. A antiga escócia acaba virando uma terra sem-lei, povoada por punks malucos fugidos do filme Mad Max (daqueles tatuados, com piercings, roupas rasgadas e descabelados). Mas existem outros sobreviventes dentro do território. Não menos violentos, eles vivem como se estivessem na idade média. Isso mesmo: cavalos, armaduras, espadas e castelos. Bom, parece uma bagunça e realmente é. Mas uma bagunça extremamente divertida, “organizada” por um dos grandes nomes do cinema de horror atual, o inglês Neil Marshall. A Europa filmes promete a exibição de “O Juízo Final” nas telas grandes ainda este ano. Se isto realmente acontecer, sirvam-se à vontade.

Domingo, Julho 20, 2008

Curtas # 33 - Atualização do Boca do Inferno

Atualização semanal do Boca:

Artigos
MADHOUSE - A CASA DO TERROR por Renato Rosatti
MANHATTAN BABY por Felipe M. Guerra
A REVANCHE DOS MORTOS-VIVOS por Bruno C. Martino

Críticas
MAREBITO: SERES ESTRANHOS por Gabriel Paixão
CHAMADA PERDIDA por Felipe M. Guerra

Promoções
ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

E mais: novidades, novos filmes, contos....

Sexta-feira, Julho 18, 2008

Curtas # 32 - OFF - Fake Trailer "Batman & Superman"

Do mesmo diretor de "Batman: Dead End"... um trailer (falso lógico) sobre um crossover entre os dois astros da DC.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Curtas # 31 - TV On-line - Horror Movies

Um canal onde você pode assistir a grandes clássicos do cinema de horror sem pagar nada durante qualquer hora do dia. Na programação, entre outros o filme "The Terror", com Bela Lugosi e Jack Nicholson.
Em Inglês, necessita o software Quicktime.

Horror Movies

(como nem tudo é perfeito, se alguém achar o "guia" de programação, me avise)

Terça-feira, Julho 08, 2008

Curtas # 30 - Apostando as fichas: Hellboy 2


Guillermo Dell Toro é o cara. Depois de O Labirinto do Fauno, a segunda parte de Hellboy.... mesmo visual... e um dos personagens mais legais dos quadrinhos...

Quem viu as pré-estréias gringas está elogiando (é óbvio, que eu ainda não vi)....

Vamos esperar Setembro, meus amigos fãs dos Homem-Morcego me perdoem, mas acho que Hellboy vai arrasar com o tal Cavaleiro das Trevas....

Sábado, Julho 05, 2008

Curtas # 29 - Revista Boca do Inferno 2


Revista Boca do Inferno #2

O número 2 da revista em quadrinhos “Boca do Inferno.Com” foi lançada no mês de Junho de 2008, pela “Editora Júpiter II”, de José Salles.

A capa é colorida e de autoria de Valmar Oliveira, que também participa com a HQ “Zombie Night”.

Walter Junior, autor da ilustração da página de abertura do site “Boca do Inferno.Com”, reaparece com a história “Rock´n´roll Hell”. O restante do conteúdo inclui as HQ´s “Revelação” e “O Morcego”, de Iam Godoy, editor do fanzine eletrônico “Fun House”, “Duas Vidas de Um Homem”, do veterano e cultuado Gedeone Malagola, e “Eles Podem Voltar!”, de Laudo Ferreira Junior.

Ainda tem três ilustrações de José Nogueira, seção de carta dos leitores, contra capa colorida de Michael Kiss, e breve resenha do filme “O Túmulo Vazio” (The Bodysnatcher, 1945), de Robert Wise e com Bela Lugosi e Boris Karloff, escrito por Renato Rosatti.

São 32 páginas em formato 155 x 218 mm, capa e contra capa coloridas.

Para adquirir acesse:
Boca do Inferno

Curtas # 28 - Contagem Regressiva: A Encarnação do Demônio


Daqui pouco mais de um mês estréia a aguardada terceira parte da trilogia do Zé do Caixão, iniciada com "à Meia-Noite Levarei Sua Alma" e "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver". "A Encarnação do Demônio" foi dirigido por Mojica e Xavier Palud, o roteiro escrito à quatro mãos por Mojica e Dennison Ramalho. A produção é de Paulo Sacramento ("Amarelo Manga"). Os figurinos são de Alexandre Herchcovitch.

Estréia:
8 de Agosto de 2008.

Site Oficial:
http://www.encarnacaododemonio.com.br/

Artigos sobre a trilogia publicados no Boca:
"À Meia-Noite Levarei Sua Alma"
"Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver"

Trailer Oficial:

Sexta-feira, Julho 04, 2008

Curtas # 27 - Mutantes e Mutações










Não, não tem nada haver com a novela trash da Record. Quem é de São Paulo vai poder curtir de graça "A Mosca", "O Hospedeiro", "As Sete Vampiras", "O Golen", entre outros trash movies. Imperdível.
Local: Cine Olido (Av. São João, 473 - CEP 01035-000 - fone: 3397-0000)
(veja abaixo programação completa)

Mostra - Mutantes e Mutações - Vol 1
de 22/7 a 2/8

Idade recomendada: 14 anos
retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão
e
ntrada franca

Resultado de variações súbitas ou hereditárias capazes das mais diversas modificações nas espécies, as mutações sempre povoaram o cinema de personagens únicos, sombrios e inesquecíveis. Dos clássicos da década de 20 e 30, passando pelos filmes trash da década de 50 e 60 e chegando às grandes produções de Hollywood, os mutantes se estabeleceram entre nós e ainda permanecerão por muito tempo.
dia 22 - terça
15h
A mulher vespa
(The Wasp Woman, EUA, 1959, P&B, 84min - 35mmsuporte DVD)
direção: Roger Corman - elenco: Susan Cabot, Barboura Morris, William Roerick, Frank Gerstle
Uma linda mulher durante o dia, uma vespa assassina durante a noite.
17h
O golem
(Der Golem, Alemanha, 1920, P&B, 68min - 35mm suporte DVD)
direção: Paul Wegener - elenco: Albert Steinruck, Paul Wegner, Lydia Salmonova
O Golem, mito de uma lenda judáica, é um ser de barro que ganha vida quando um mago usa a mágica de um antigo livro da Cabala. O monstro de barro, interpretado pelo próprio diretor Paul Wegener, foi criado para proteger os judeus dos ataques anti-semitas.
19h30
O hospedeiro
(Gwoemul, Japão/Coréia do Sul, 2006, cor, 119min - suporte 35mm)
direção: Bong Joon-ho - elenco: Song Kang-ho, Byun Hee-bong, Park Hae-il, Bae Du-na, Ko A-Sung
Um cientista ordena que despejem uma substância tóxica no rio Han. Na beira deste rio, mora uma família, pai e três filhos, proprietária de uma barraquinha de comida. Todos cuidam de uma menina órfã que desaparece quando uma estranha mutação surge nas margens do rio obrigando-os a lutarem sozinhos contra os seus próprios medos.

dia 23 - quarta
15h
Criatura sangrenta
(Blood Creature, EUA, 1959, P&B, 89min - 35mm suporte DVD)
direção: Gerry de Leon - elenco: Francis Lederer, Greta Thyssen, Richard Derr, Oscar Keesee
Em uma ilha experimentos genéticos são realizados impunemente.
17h
O Lobisomem no quarto das garotas
(Werewolf in a girls' dormitory, EUA/Áustria/Itália, 1961, P&B, 82min - 35mm suporte DVD)
direção: Richard Benson - elenco: Barbara Lass, Carl Schell, Curt Lowens, Maurice Marsac
Pânico e terror no quarto de jovens garotas indefesas.
19h30
O ataque das sanguessugas gigantes
(Attack on the Gigant Leeches, EUA, 1959, P&B, 62min - 35mm - suporte DVD)
direção: Bernard Kowalski - elenco: Jan Shepard, Gene Roth, Yvette Vickers, Dan White
Sanguessugas vêm rastejando desde o inferno com um único objetivo: matança.

dia 24 - quinta
15h
A besta da caverna assombrada
(Beast from Haunted Cave, EUA, 1960, P&B, 64min - 35mm - suporte DVD)
direção: Monte Hellman - elenco: Michael Forest, Sheila Carol, Frank Wolff, Richard Sinatra
Jovens garotas apavoradas sugadas por um labirinto de horror e sangue de uma besta faminta do inferno.
17h
O cérebro que não queria morrer
(The Brain That Wouldn't Die, EUA, 1959, P&B, 92min, 35mm - suporte DVD)
direção: Joseph Green - elenco: Herb Evers, Adele Lamont, Bruce Kerr, Paula Maurice, Virginia Leith
Ela é uma cabeça viva e sua única esperança é encontrar um corpo para ser a nova morada do cérebro que não queria morrer.
19h30
A mosca da cabeça branca
(The Fly, EUA, 1958, P&B, 93min - 35mm - suporte DVD)
direção: Kurt Neumann - elenco: Vincent Price, Patricia Owens, Herbert Marshall, Kathleen Freeman
Um brilhante cientista torna-se obcecado com o aperfeiçoamento de um aparelho que pode realizar a transmissão de matéria de um lugar para outro. Tendo sucesso em seu primeiro teste, ele realiza um segundo teste sendo a própria cobaia do experimento. Mas, acidentalmente, uma mosca comum se envolve no seu experimento e, quando o teste termina, ambas as criaturas foram extraordinariamente modificadas.

dia 25 - sexta
15h
A mosca
(The Fly, EUA, 1986, cor, 96min - 35mm - suporte DVD)
direção: David Cronenberg - elenco: Jeff Goldblum, Geena Davis, John Getz, Joy Boushel
Cientista acidentalmente se funde a uma mosca doméstica ao conduzir uma experiência de teletransporte.
17h
O golem
(Der Golem, Alemanha, 1920, P&B, 68min - 35mm suporte DVD)
19h30
O homem invisível
(The Invisible Man, EUA, 1933, P&B, 71min - 35mm - suporte DVD)
direção: James Whale - elenco: Claude Rains, Gloria Stuart, Henry Travers, William Harrigan
Um médico descobre soro que o torna invisível. Coberto por ataduras e óculos escuros, ele chega a uma pequena povoação e tenta ocultar a sua espantosa descoberta. Contudo, a mesma droga que o torna invisível leva-o, pouco a pouco, a praticar indescritíveis atos de terror.

dia 26 - sábado
19h30
As sete vampiras
(Brasil, 1986, cor, 100min - 35mm)
direção: Ivan Cardoso - elenco: Nicole Puzzi, Nuno Leal Maia, Andréa Beltrão, Simone Carvalho
Botânico perde o controle sobre uma planta carnívora de origem africana, que transforma suas vítimas em vampiros. Paralelamente, um detetive desastrado e sua secretária são contratados para desvendar uma onda de assassinatos em série, que ameaça os bastidores do show de uma boate.

dia 29 - terça
15h
As sete vampiras
(Brasil, 1986, cor, 100min - 35mm)
17h
O hospedeiro
(Gwoemul, Japão/Coréia do Sul, 2006, cor, 119min - suporte 35mm)
A mulher vespa
(The Wasp Woman, EUA, 1959, P&B, 84min - 35mmsuporte DVD)

dia 30 - quarta
15h
O cérebro que não queria morrer
(The Brain That Wouldn't Die, EUA, 1959, P&B, 92min, 35mm - suporte DVD)
17h
O ataque das sanguessugas gigantes
(Attack on the Gigant Leeches, EUA, 1959, P&B, 62min - 35mm - suporte DVD)
19h30
A besta da caverna assombrada
(Beast from Haunted Cave, EUA, 1960, P&B, 64min - 35mm - suporte DVD)

dia 31 - quinta
15h
A mosca da cabeça branca
(The Fly, EUA, 1958, P&B, 93min - 35mm - suporte DVD)
17h
O homem invisível
(The Invisible Man, EUA, 1933, P&B, 71min - 35mm - suporte DVD)
19h30
A mosca
(The Fly, EUA, 1986, cor, 96min - 35mm - suporte DVD)

dia 1°/8 - sexta
15h
O hospedeiro
(Gwoemul, Japão/Coréia do Sul, 2006, cor, 119min - suporte 35mm)
17h
Criatura sangrenta
(Blood Creature, EUA, 1959, P&B, 89min - 35mm suporte DVD)
19h30
O ataque das sanguessugas gigantes
(Attack on the Gigant Leeches, EUA, 1959, P&B, 62min - 35mm - suporte DVD)

dia 2/8 - sábado
19h30
O Lobisomem no quarto das garotas
(Werewolf in a girls' dormitory, EUA/Áustria/Itália, 1961, P&B, 82min - 35mm suporte DVD)

Domingo, Junho 29, 2008

Curtas # 26 - Em DVD: Cloverfield Monstro


Se você ficou com receio de ver no cinema devido aos comentários não muito favoráveis, agora você tem a oportunidade de tirar suas próprias conclusões. Particularmente gostei muito do filme. Achei um suspense tenso, com ótimas atuações e efeitos convincentes. Com certeza o melhor filme de "monstro gigante" feito na gringolândia.

SPOILER
Atenção especial para a cena final, quando o casal está na roda-gigante. Ao fundo vemos um objeto cair dos céus e mergulhar no mar. Provavelmente um acontecimento ligado a origem do monstro.

Embora chame-se "Cloverfield Monstro" no Brasil, a criatura é que menos importa. A trama centra-se no desespero dos personagens, como se fosse uma situação verdadeira.

Sexta-feira, Junho 20, 2008

Curtas # 25 - Atualizações do Boca


Atualização semanal do Boca do Inferno, com artigos do Felipe Guerra ("Jigsaw"), João Pires Neto ("Fim dos Tempos") e Gabriel Paixão ("(A)Fronteira").
Promoção: concorra ao DVD "A Cadeira do Diabo".
Artigos atualizados: "A Vila" e "A Dama da Água".
Críticas: "Fim dos Tempos", "Seed" e "Catacumbas".
Comentários: "O Nevoeiro".

Acessem: www.bocadoinferno.com

Curtas # 24 - FRINGE


"A VERDADE ESTÁ LÁ FORA!" de novo. E nem é o segundo longametragem da série "Arquivo X". Trata-se de "Fringe", nova série de J.J. Abrans, criador de "Alias" e "Lost". Confiram o empolgante trailer e tente entender do que se trata a série (e não conta para ninguém, mas o primeiro episódio já vazou na internet).


Site Oficial:
http://www.fox.com/fringe

A série estréia em Setembro nos States e o primeiro episódio custou nada menos do que U$ 10 milhões!!!

Sexta-feira, Maio 23, 2008

Curtas # 23 - Juvenatrix # 110

Está disponível a edição 110 do fanzine Juvenatrix, editado pelo amigo Renato Rosatti, responsável pelos blogs www.infernoticias.blogspot.com e www.juvenatrix.blogspot.com. Solicite sua edição virtual pelo e-mail: renatorosatti@yahoo.com.br.

Entre matérias, contos e artigos, o fanzine traz:
Contos
Torpe por João Pires Neto
Allan Geist por Rita Maria Felix da Silva
Nas Caldeiras do Diabo por Carlos Alberto Marcante dos Santos
A Maldição de Quinnilinaa Wrutchild por Carlos Alberto Marcante dos Santos
Híbrido por Rynaldo Papoy
O Ônibus por Iam Godoy

Artigos
Eugênio Colonnese – Mirza, a Mulher Vampiro por Adriano Siqueira
Herbert West – Reanimador, de H. P. Lovecraft por Rynaldo Papoy
Guerreiros do Futuro por Felipe M. Guerra
Teatro da Morte por Renato Rosatti
A Última Esperança Sobre a Terra por João Pires Neto
A Lenda do Lobisomem por André Bozzetto Junior
Invasão Sinistra por Felipe M. Guerra
Além da Imaginação por Renato Rosatti
Zumbi Branco por Matheus Ferraz

Sábado, Maio 17, 2008

Curtas # 22 - NEWS !!!

NEWS # 1: Divulgado ator que interpretará o jovem Jason na prequel de "Sexta-Feira 13". O nome do garoto é Caleb Guss:

NEWS #2: Foi disponibilizado esta semana também o trailer oficial do filme "X-Files 2: I Want Believe". Segundo filme da série clássica que dominou os anos 90. Com previsão de estréia lá fora dia 25 de Julho.



NEWS # 3: Está disponível o trailer do terceiro filme da franquia "A Mumia". A continuação ganhou o subtítulo de "A Tumba do Dragão Imperador" e terá Brendan Fraser no papel principal, a participação ainda de Jet li e direção de Rob Cohen.



NEWS # 4: Cartaz do novo filme de Ruggero Deodato, diretor do lendário "Holocausto Canibal". Agora os canibais estão bem mais próximos da cidade...

Domingo, Maio 11, 2008

Curtas # 21 - "(A) Fronteira"


Exibido no festival Afterdark Horror Fest do ano passado, o empolgante trailer de "(A) Fronteira", a resposta francesa pro "O Albergue" (o filme estréia oficialmente este final de semana nos Estados Unidos):

Quinta-feira, Maio 01, 2008

Curtas # 20 - OFF: Fake Trailers

Após o sucesso do filme "Homem de Ferro", o quê podemos esperar? Alguns fan-trailers mais legais que muitos filmes:

Liga da Justiça



Guerra Civil




Os Vingadores

Sábado, Março 29, 2008

Curtas # 19: A volta do Boca

Após alguns dias negros em que o Boca, um dos maiores sites da américa especializado em cinema de horror, pra qual tenho o prazer de colaborar, ficou fora do ar graça a canalhice dos servidores de hospedagem...ufa...frase longa demais, quase me perdi...enfim...o Boca está de volta, e com muita informação nova. Entre elas, artigos sobre "A História dos Vídeo Nasties", sobre o mini-clássico "Nasce Um Monstro" e o sci-fi "Destino: Espaço Sideral". Fora os contos, críticas, novidades.......

Acessem:

Domingo, Fevereiro 10, 2008

Conto # 2: Torpe

Torpe

“O anonimato é a manifestação do ódio vilão.”
(Victor Hugo)


Um disparo rompeu o silêncio. O ar carregou-se de pólvora dificultando a respiração, impedindo-nos de sentir o cheiro adocicado de sangue. Ainda que efêmero, um prazer quase complacente açoitava-nos. Sem culpa. Sem remorsos. Um corpo desabou. Seu casaco verde gradualmente tornou-se rubro. Estatística para o governo. Manchete para os jornais.

Há alguns meses era apenas uma dúvida. Pequena. Talvez ele tivesse alguma razão. Sua luta poderia ser a minha. A nossa. Aos poucos essa dúvida cristalizou-se numa idéia. Não era justo. “Este é o nosso país”. Esta idéia começou a me torturar. Não me deixava dormir. Sorrateiramente transformou-se num ideal. Um ideal que foi convertido no sentimento que nos trouxe até aqui.

Gotas de chuva caíram formando pequenas poças. A água misturou-se ao sangue. Guardava a arma ainda quente quando ouvi alguns gemidos. Sussurros que imploravam. Com as mãos sufoquei suas últimas palavras.

Alguns estranharam quando raspei a cabeça. O visual era mais agressivo e demonstrava certa insatisfação com o rumo que as coisas tomavam. Na verdade todos estavam insatisfeitos. Mas poucos realmente ligavam. Terminara de ler um livro comprado no centro de São Paulo. Era um livro odiado, mais pelo seu autor do que pelo seu conteúdo. Este, poucos realmente conheciam. Era fascinante. Palavras escritas numa prisão há quase cem anos, mas que podiam nos guiar agora.

Não me incomodava o corpo daquele jovem ali no chão. Não me importava ter tirado a sua vida. Sentia-me mais forte agora. Um a menos. Uma cidade mais limpa. Se eu o conhecia? Não.

Tatuar uma cruz em meu braço não fora uma tarefa tão simples. E depois de feita, raramente podia exibi-la. Não que eu tivesse medo, pois nesta época já não andava mais sozinho.

Com tinta spray vermelha desenhamos uma cruz ao lado do corpo. A chuva cessara. Passageira. Provamos nossa superioridade com violência. Sabíamos que a violência era tão vulgar quanto essencial ao desenvolvimento do ser humano.

Olhei pela última vez o jovem morto com um tiro na nuca. Buscava em algum lugar um sentimento de arrependimento. Nada. Uma voz sussurrava em meus ouvidos: “é a seleção natural, é a evolução. O seu destino é selado por suas escolhas, ou pela cor de sua pele. Assim separamos os fortes dos fracos. Os que vivem dos que morrem”. Respirei fundo. Você sorria ali do meu lado. Um sorriso branco e satisfeito que aprovava nossa ação.

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

Resenha # 18: Floresta do Mal


“U.S. – The Ultimate Survival”. Seis competidores. Seis dias. Apenas um sobrevivente. Numa floresta remota, um grupo de jovens disputa um prêmio em dinheiro num reality show que simula um mundo pós-apocalíptico. O terror torna-se real quando os participantes descobrem uma estranha família com hábitos alimentares um tanto quanto exóticos.

Em 2003, a PlayArte teve a idéia genial de distribuir “Wrong Turn” em terras tupiniquins com título de “Pânico na Floresta”. Pra que respeitar a idéia do título original, se podemos lançar o filme com um nome muito mais criativo? Quatro anos se passaram, uma continuação foi produzida e eis que a Fox (e não a PlayArte) adquire os direitos de distribuição de “Wrong Turn 2: Dead End”, no Brasil. Neste mesmo tempo, num golpe baixo e vingativo, a PlayArte lança a bomba “Timber Falls” como “Pânico na Floresta 2”, mesmo o filme não tendo nada haver com “Wrong Turn”. Numa picaretice à altura da concorrente, os responsáveis pelo setor “nome de filmes quando lançados por aqui” da Warner, batizaram “Wrong Turn 2” com o patético e originalíssimo título “Floresta do Mal”. Tomaremos a liberdade (mesmo que por um único parágrafo), de chamar Wrong Turn de “Caminho Errado” (não soa muito bem, mas se aproxima de sua tradução literal) e a sua continuação pelo subtítulo “Sem Saída” (Dead End).

Superando a falta de originalidade na escolha dos títulos em português pelas distribuidoras, vamos ao filme em si. “Floresta do Mal” (respeitando a escolha oficial), assim como seu antecessor “Pânico na Floresta”, não apresenta muita coisa de inovador. Apesar de não ser exatamente um filme ruim, temos a sensação de estarmos assistindo a uma versão genérica dos clássicos “Massacre da Serra Elétrica” e “Quadrilha de Sádicos”. Todas as peças estão lá: jovens desavisados e sem conteúdo caçados por canibais deformados num ambiente inóspito e isolado.

Entretanto “Floresta do Mal” começa muito bem, com uma seqüência um tanto promissora e violenta. Neste prólogo, a cantora, atriz e “American Idol”, Kimberly Caldwell dirige um belo Mustang conversível por uma estrada quase deserta. Pelo celular, ela discute distraidamente com seu empresário uma participação num reality show, quando, comprovando que não se deve jamais usar o telefone enquanto se está ao volante, atropela um desconhecido. Desesperada, a loira desce do carro e tenta prestar socorro à vítima (um rapaz cujo rosto parece deformado). Ao se aproximar do atropelado, Kimberly nota que ele parece engasgado e então tenta puxar sua língua. O rapaz acorda e num gesto furioso, arranca-lhe o lábio inferior com uma mordida. Ensangüentada e em pânico, Kimberly tenta fugir, mas acaba cara a cara com outro homem, que com uma única machadada a corta ao meio.

Esta seqüência é apenas uma pequena amostra do que nos reserva os 90 minutos seguintes. Muita violência explícita, machadadas, flechadas, tiros, facadas, membros decepados e pescoços degolados, entre outras inúmeras crueldades habituais nas produções do gênero. Os ótimos efeitos de maquiagem não deixam a desejar nos “deliciosos” excessos: são tripas, intestinos, dedos, e pedaços de gente suficientes para alimentar a família canibal por muito tempo.

Mas mesmo com estes bons efeitos e o “gore” exagerado, “Floresta do Mal” não chega a impressionar. Falta a produção aquele clima incômodo e indigesto característico as produções setentistas que lhe serviram de inspiração. Esta ausência de suspense deve-se em parte ao fraco desempenho dos atores.

O “dispensável” elenco, destinado a virar o jantar de uma família de malucos deformados canibais, é composto por Aleksa Palladino (que fez uma pequena participação em “O Chamado 2”), interpretando Mara, a namorada do idealizador do reality show (Matthew Currie Holmes, de “A Névoa”). Somam-se aos participantes do programa a linda vegetariana Nina (Erica Leerhsen, de “O Massacre da Serra Elétrica” refilmagem), a também linda Amber (Daniella Alonso, de “O Retorno dos Malditos”) e a safada Elena (Crystal Lowe, de “Premonição 3”). A trupe masculina é liderada pelo vocalista da Rollins Band, Henry Rollins (de “Banquete no Inferno”). Henry encarna o ex-combatente de guerra e mediador do programa. Completando o elenco estão os inexpressivos Texas Battle (“Premonição 3”) e Steve Braun (“Sociedade Secreta 3”), interpretando Jake Washington e o engraçadinho Jonesy.

O roteiro, que foi escrito pela dupla Turi Meyer e Al Septien, responsáveis por diversos episódios de “Smallville” e pelo fraco “Candyman 3: Dia dos Mortos”, se resume a simples tagline do filme: jovens sendo mortos um a um por uma família de canibais deformados. Uma variação da trama do primeiro longa (e de centena de outros), que apresenta ainda diversas situações idênticas as apresentadas no filme anterior, como a visita das heroínas a cabana dos canibais e o cemitério de automóveis. A própria idéia do reality show não é nova, pois já havia sido explorada por produções semelhantes como “O Olho Que Tudo Vê” e “Halloween: Ressurreição”. Uma única sacada divertida é a caracterização do personagem vivido por Henry Rollins, que em determinado momento se transforma numa espécie de Rambo, com direito a cara pintada e arco e flecha.

A direção ficou a cargo do estreante Joe Linch (grande promessa segundo o site americano “Gorezone”). Apesar de algumas tomadas de ângulos extravagantes, o resultado final é um tanto convencional.

Assim como o prólogo, algumas outras seqüências salvam o filme do fiasco, como o nauseante nascimento de um bebê deformado, e uma asquerosa cena de sexo entre irmãos canibais. Uma boa idéia também é a critica constante aos reality shows, mostrando a falta de caráter e personalidade dos participantes, assim como a manipulação dos acontecimentos (uma cena de sexo é programada entre os participantes, sem nada de natural). O filme também questiona, de forma menos explícita, a “hipocrisia cristã” em relação a alimentação, quando a família canibal faz uma oração, antes de devorar seu prato predileto.

Apesar de todas as obviedades de “Floresta do Mal”, o bom desempenho do DVD ao redor do mundo e algumas boas críticas tornaram viável a produção de uma nova continuação, prevista para 2008 com direção do mesmo Joe Linch. No Brasil, a versão em DVD, denominada “UNRATED” (sem censura), traz como material extra o making of, trilha de áudio com comentários e dois pequenos documentários chamados “Nas Locações com P-Nut” e
“Fazendo o Esquartejamento Ter Uma Boa Aparência”.

“Floresta do Mal”, na melhor das hipóteses, pode ser considerado uma boa homenagem aos primeiros trabalhos dos cineastas Wes Craven e Tobe Hooper. Esta homenagem (reciclagem ou plágio, como preferirem) fica evidente na seqüência do jantar, quando a “visita” se vê obrigada a provar o prato principal a base de carne humana (a ironia: ela é vegetariana). Algo muito próximo ao que foi visto em “O Massacre da Serra Elétrica”, de Hooper. Uma outra citação é a camiseta preta usada por M, com o logotipo “BR” (de “Battle Royalle”, produção japonesa que é indiscutivelmente o melhor filme focando reality shows já realizado).

Enfim, um terror mediano, indicado aos fãs de “gore” explícito e que não sejam muito exigentes quanto ao conteúdo. Estes são brindados com milhares de litros de sangue e toneladas de tripas.

Cotação:
Floresta do Mal (Wrong Turn 2: Dead End, EUA/Canadá, 2007).
Direção: Joe Lynch.
Roteiro: Turi Meyer e Al Septien.
Produção: Jeff Freilich.
Produção Executiva: Erik Feig.
Edição: Ed Marx.
Desenho de Produção: Brentan Harron.
Direção de Arte: Kirsten Franson.
Maquiagem: Angelina P. Cameron, Stan Edmonds, Vanessa Giles, Keith Lau e Shauna Magrath.
Figurino: Hisami Yamamoto.
Fotografia: Robin Loewen.
Música: Bear McCreary.
Elenco: Erica Leerhsen (Nina Papas), Henry Rollins (Dale Murphy), Texas Battle (Jake Washington), Daniella Alonso (Amber), Steve Braun (Jonesy), Aleksa Palladino (Mara), Crystal Lowe (Elena), Matthew Currie Holmes (M), Kimberly Caldwell (Kimberly), Ken Kirzinger (Pa), Wayne Robson (homem velho), Jeff Scrutton (Three-Finger), Clint Carleton (irmão), Rorelee Tio (irmã), Ashlea Earl (Ma), Cedric De Souza (Neil), John Stewart (Wojo) e Bro Gilbert (Chris).

Domingo, Fevereiro 03, 2008

Curtas # 18: EXORCIZANDO O CARNAVAL - Parte 2

Sabbath Cartoon
Nunca tinha ouvido falar, não sei de onde veio e nem pra onde vai. Mas Muito legal.

Curtas # 17: Machine Girl

No estilo garota-com-perna-de-metralhadore de "Planet Terror", surge do outro lado do planeta a impagável, inacreditável e indestrutível : "Machine Girl". Vejam o imperdível trailer:

Curtas # 16: EXORCIZANDO O CARNAVAL (dica de DVDs)


Sem deixar-se contaminar pela folia carnal e carnavalesca, aí vão algumas dicas:

Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal (Metal: A Headbanger's Journey, 2005)
Elogiado pelos críticos e adorado pelo público, METAL - UMA JORNADA PELO MUNDO DO HEAVY METAL é um documentário obrigatório. Dirigido e narrado por Sam Dunn, um antropólogo e metaleiro de carteirinha, o filme conta como nasceu e como se tornou uma febre em todo o mundo o som dos rapazes e garotas cabeludos. Astros como Bruce Dickinson (do Iron Maiden), Alice Cooper, Slayer, Ronnie James Dio e muitos outros lembram suas histórias e a sensação de estar ali do palco comandando e transmitindo energia para platéias gigantescas.

Fido - O Mascote ( Fido, Canadá, 2006)

Há muitos anos a Terra passou por uma nuvem de poeira espacial, o que fez com que os mortos retornassem com uma insaciável fome por carne humana. A situação é alarmante em todo o planeta, até ser inventada pela ZomCon uma coleira que faz com que os zumbis se tornem dóceis. Graças a esta invenção os zumbis puderam ser jardineiros, leiteiros e até mesmo animais de estimação. A ZomCon quer que todos acreditem que os zumbis estão sob controle, mas Timmy Robinson (K'Sun Ray) não acredita nisto. Desconfiado e isolado, Timmy fica tanto tempo em seu quarto que até seus pais se esquecem dele. Quando sua mãe (Carrie-Anne Moss) compra um zumbi para ajudá-la em casa ele logo passa a vê-lo com desconfiança. Mas, após o zumbi salvá-lo dos garotos que sempre o perseguiam, nasce uma amizade entre eles e Timmy passa a chamá-lo de Fido (Billy Connolly).

Banquete no Inferno (Feast, 2005)

Primeiro filme de terror do Project Greenlight, idealizado por Ben Affleck e Matt Damon, que financia filmes de diretores estreantes e acompanha a produção em um reality show da TV a cabo. Citando filmes como Uma Noite Alucinante e Um Drink no Inferno, o filme mostra um grupo de nove pessoas presas em um bar de beira de estrada lutando para sobreviver ao ataque de violentas criaturas carnívoras que se escondem nas sombras e desejam se reproduzir ao custo de vidas humanas.



Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Curtas # 15: Estréia no cinema "O Orfanato" (22/2)

Não é sempre que tem uma estréia tão interessante como esta produção de Guillermo "Fauno" del Toro nos cinemas brasileiros. Quem assistiu as cabines de imprensa se impressionou e as críticas internacionais são todas favoráveis.
Sinopse Oficial: Laura retorna à casa onde fora criada e decide transformá-la em um orfanato. Problemas começam quando o filho de Laura começa a fazer amigos imaginários. A nova vizinhança desperta a imaginação de seu filho, que começa a se deixar levar por jogos de fantasias cada vez mais intensos. Estes jogos vão inquietando Laura até um ponto que chega a pensar que existe algo na casa que está ameaçando sua família. A escalada de estranhos acontecimentos farão com que ela busque a ajuda de parapsicólogos.
Trailer:

Site Oficial: http://www.theorphanagemovie.com

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Curtas # 14: Atualização do Boca



Artigos:

"Aliens 2" - continuação picareta made in italy de "Aliens - O Oitavo Passageiro". Por Felipe M. Guerra.

"Eu Sou A Lenda" - adaptação da novela de Richard Matheson, estrelada por Will Smith. Por Marcelo Carrard.

"Batalha dos Mortos" - versão Asylum para o blockbuster "Eu Sou a Lenda". Por João Pires Neto.

Ainda críticas dos filmes "Mortos que Matam" e "Eu Sou a Lenda", análise do jogo "Castlevania 2" .

Promoção: em jogo o DVD do lançamento da Focus Filmes, "Torturados".

Veja também o resultado do Top top Bocadoinferno, para os melhores e piores de 2007, segundo os leitores do site, do fórum "Irmandade do Inferno" e comunidade no Orkut.

Domingo, Janeiro 20, 2008

Curtas # 13: Revista em Quadrinhos Boca do Inferno

Fonte: Infernotícias, do amigo Renato Rosati.

O “Boca do Inferno”, maior site da América Latina dedicado ao horror, fantasia e ficção em todas as suas manifestações, em especial o cinema, em parceria com a “SM Editora” lançam o número 1 da revista em quadrinhos “Boca do Inferno.Com” (Janeiro de 2008).

Conteúdo e contatos, conforme o Infernotícias:

A capa é colorida e de autoria do artista Walter Junior, o mesmo ilustrador que fez a página de abertura do “Boca do Inferno”.
Ele também participa com a HQ “Um Coração de Presente”, cuja capa da revista foi inspirada. O restante do conteúdo inclui as HQ´s “Coleção de Naturalista”, nova aventura do Conde Lopo, personagem criado por Marcos T. R. Almeida, “Para o Horror e Além”, de E. Thomaz, e “Hooker Avenger”, com roteiro de José Salles, desenhos de Laudo Ferreira Junior e arte final de OmarViñole. Ainda tem quatro ilustrações de página inteira de José Nogueira e a coluna “Clássicos do Cinema de Horror”, com uma breve análise de Renato Rosatti sobre o filme “Teatro da Morte” (Theatre of Blood, 1973), com Vincent Price.

São 32 páginas em formato 155 x 218 mm, capa e contra capa coloridas, R$ 3,00 (entrega em mãos) e R$ 5,00 (pelo correio, com frete incluso).


Interessados solicite seu pedido através de e-mail ou carta, informando o endereço postal completo, para:
Marcelo Milici – e-mail: marcelomilici@yahoo.com.br
Rua Lício de Miranda 608 – Vila Carioca – São Paulo/SP – CEP 04225-030
José Salles – e-mail: smeditora@yahoo.com.br
Caixa Postal 95 – Jaú/SP – CEP 17201-970

Realização:
http://www.bocadoinferno.com/
http://www.infernoticias.blogspot.com/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=99935
http://www.smeditora.uniblog.com.br/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12822321
Apoio:
http://www.bigorna.net/

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008

Curtas # 12: Supermáquina 2008

Ok, nem é terror, nem é cinema. Mas para os saudosistas de plantão, uma nova roupagem da série clássica dos anos 80 Supermáquina feita para a TV a cabo. Pra quem não sabe houve uma versão sem graça chamada Supermáquina 2000. Agora é a versão 2008 (pelo menos desta vez o K.I.T.T. é preto e não vermelho como na versão 2000). Vejam o trailer:

Sábado, Janeiro 12, 2008

Curtas # 11: Eu Sou a Lenda

Na primeira grande estréia cinematográfica de 2008, Will Smith interpreta o último dos homens sobre a Terra, o cientista Robert Neville. Adaptação do homônimo livro clássico Sci-Fi de Richard Matheson, anteriormente filmado como “Mortos que Matam” com Vincent Price e “A Última Esperança sobre a Terra” com Charlton Hearston. A direção é de Francis Lawrence (“Constantine”) e o elenco conta ainda com a brasileira Alice Braga.

O filme, que estreou um mês antes nos Estados Unidos, fez muito sucesso por aquelas bandas. Tem ótima avaliação no IMDB, e foi bem recebido pela crítica especializada. Eu que não sou nada especializado, achei um tanto convencional e inferior as versões anteriores. E olha que nem culpo o desempenho do Will Smith, na verdade, ele saiu-se bem como o perturbado Neville. Dois pontos negativos, na minha humilde opinião, que me levaram a impressão de que “poderia ser muito melhor”, são as criaturas em CGI sofríveis (considerando o orçamento milionário do filme) e o final banal e açucarado. Estréia nos cinemas brasileiros no dia 18 de Janeiro.
Trailer:

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Curtas # 10: Atualização do Boca



Entre as novidades da atualização semanal do Boca, temos:
Artigos
Olhos de Gato
O Retorno
A Presa

Críticas
Temos Vagas

Artigo Atualizado
Stephen King

Novidade
ROVDYR

Artigo Game
Splatterhouse

Além de tudo isso, as novidades do Infernotícias, Promoções (em jogo um DVD "Escola dos Espíritos") e uma enquete para se escolher o melhor filme de 2007....

Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

Conto # 01: Afogadouro

Depois de esgotadas as duas primeiras edições da coletânea de contos "Ódio" e um segundo projeto em andamento, estou disponibilizando abaixo um dos contos. Críticas são muito bem-vindas.

Afogadouro

"O ódio é o produto tanto das boas obras como das infames."
(Maquiavel)

Demorei um tempo para entender o que estava acontecendo. Não sentir as pernas era um mau sinal. Com muito esforço e uma dor quase insuportável, consegui mover os braços e limpar o sangue que cobria o meu rosto. Mesmo podendo enxergar, ainda não via a extensão dos meus problemas. Minha cabeça doía muito e pensar não era uma tarefa, digamos, muito fácil. Um gosto amargo de ferrugem me embrulhava o estômago. Bom sinal: ainda tinha estômago. E um pouco de humor. Estava no meu carro. E o meu mundo estava de pernas o para ar, literalmente.

Havia sofrido um acidente. E estava preso nas ferragens. E pelo pouco que podia ver, meu Golzinho velho estava tombado. Tentava buscar algum flashback que me explicasse o que realmente tinha acontecido. Tipo aqueles de Hollywood, em preto-e-branco. Mas nada passava nesta minha cabeça atordoada. Do lado de fora tudo o que eu via era mato e, bem ao longe, uma estrada. Meu coração começou então a bater mais forte. Tentei manter a calma. Pois acho que antes de morrer, o coração bate mais forte e depois pára. E eu não queria morrer. Tinha um bom motivo para isso, embora não lembrasse qual. A rodovia ao longe. Mato. Foi fácil deduzir: por algum motivo havia saído da estrada e capotado. E o carro caíra numa vala. Destas malditas que existem ao redor das estradas. Meu coração batia um pouco mais devagar, mas estável.

Estava com sede. Sinal de morte iminente? Não sei. Mas acho que a morte se torna uma obsessão quando se está todo arrebentado e preso nas ferragens de seu carro no meio do nada. Tentei mover as pernas (aquelas que eu não sentia), mas foi em vão. Acho que todo o meu sangue já havia descido até a cabeça, nesta hora. Minha avó falava que isso podia matar, mas ela era meio exagerada e a situação não era tão ruim. Era só esperar pelo resgate. No meio do nada.

Passaram-se alguns minutos. Algumas horas. Cheguei à conclusão de que o resgate não iria me encontrar tão facilmente. Eu estava longe da estrada. Era noite. E principalmente porque não passava um filha-da-puta sequer naquele fim de mundo. Bom, neste momento, o medo de morrer pelos ferimentos passou. O medo agora era morrer de fome, de sede ou de vontade de ir ao banheiro. Ou talvez de enlouquecer.

Foi aí que resolvi buscar outro flashback daqueles. Lembrar algo de bom que havia acontecido antes. Puta-que-o-pariu! Estiquei o braço, abri o porta-luvas e lá estava o bilhete premiado da loteria. Vários milhões. Carro novo (importado, lógico). Mulheres. Uma lancha. Mulheres. Viagens. Mulheres. Uma guitarra igual a que Hendrix tacou fogo em Woodstock! 4, 8, 15, 16, 23 e 42! Bom, agora eu tinha certeza. Eu não poderia morrer mesmo.

O tempo passava e nada. Minha boca estava totalmente seca. Comecei a ficar com muita sede. Foi aí que tive a idéia mais estúpida de minha vida: rezar. Sei que nunca acreditei muito nestas coisas, mas nesta situação, valia tudo. Pedi para Deus um copo de água. Sempre ouvi que um copo d’água não se nega a ninguém. Deus me respondeu rapidinho. Começou a chover. Algumas gotinhas. Algumas gotonas. Um puta temporal. Daí eu vi que a bosta tava feita. A vala começou a encher de água. E meu Golzinho também. Minha sede ia passar e eu ia morrer afogado!

Merda! Merda! Merda! Eu tinha que pensar rápido. Deus não era tão ruim assim e tinha me dado um pouco de inteligência. Foi dolorido, mas consegui fechar o vidro da janela. Reparei que faltava uma unha em um dos dedos. Rapidamente contei. Bom, pelo menos, os dez dedos estavam ali. Os da mão. Os do pé, infelizmente não podia ver. Sei que foi uma cagada capotar o carro e os vidros ainda estarem inteiros. Mas não era hora de questionar o meu destino. Ali estava eu: com sede, arrebentado, preso nas ferragens e com o carro sendo submerso pela água.

Tentei evitar pensamentos do tipo: o vidro pode estourar, a água invadir o interior do carro e eu morrer afogado e de ponta cabeça. Mas eu tinha um trunfo: eu era rico agora. E até onde eu sei os ricos sempre se dão bem. Podia então estar sonhando. Não haveria acidente nenhum. Não haveria dor, nem unha faltando, nem morte iminente. Seria um pesadelo e eu só precisava acordar. Mas merda! Se fosse um sonho eu também não teria ganhado na loteria. Estaria vivo, pobre e fodido.

Ainda chovia, mas o temporal tinha virado uma pequena garoa. Estava perdendo as esperanças quando vi uns faróis na estrada. Como não tinha aprendido a lição, resolvi rezar novamente. Deus mostrou sua eficiência e o carro, que já havia passado do ponto mais próximo ao meu acidente, deu meia-volta e encostou. Estava salvo. E rico. Daria um presente para meu salvador. Pelo menos 100 reais. A sede passou e tive a impressão do meu dedão do pé se mexer. Estava salvo, rico e com o dedão do pé!

Achei estranho quando o motorista saiu do carro carregando uma marreta. Foi neste instante que um flashback forçado sacudiu minha cabeça. Destes irritantes que num filme explicam o final surpresa para os espectadores mais burros. Eu não havia ganhado na loteria. Eu havia roubado o bilhete. Roubei de um nerd maldito do meu serviço. O cara nem gostava de mulher. Pra que iria querer tanta grana? Quando meus pensamentos ficaram coloridos de novo, ele já estava dentro da vala, com a água até o joelho, a boca espumando e uma marreta gigante nas mãos. Não sei por que entendi que ele não estava ali para me salvar. Foi só o tempo de ouvir o estouro na janela do meu lado. Em segundos a água invadiu o interior do carro. E lá estava eu: pobre e afogado.

Curtas # 09: O Livro Negro dos Vampiros

Surpreendente antologia de contos"vampirescos". Digo surpreendente mesmo. Apesar da maioria dos autores serem autores iniciantes, os textos são todos de alta qualidade. Entre os autores, alguns conhecidos: o recifense Octavio Cariello, desenhista, entre outras coisas, da minissérie de 12 partes, A Rainha dos Condenados (Queen of the Damned), publicada nos Estados Unidos pela Innovation em 1992, Liz Marins (filha do nossso imortal e simpático Zé do Caixão), Kizzy Ysatis (Prêmio Rachel de Queiroz de 2005) e minha amiga de faculdade Emília Ract.

Disponível no site da editora: Andross Editora

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Curtas # 08: BACK TO BLACK


O editor do Blog Nocturnia-Z (este humilde fã de cinema de horror que vos fala), junto com alguns amigos que adoram escrever, lançaram de forma independente o livro de contos "Ódio". São oito histórias curtas e diretas, de autoria de Ubirajara Gonçalves Filho (“Sintomas”, “O Penitente” e “Blasfêmia”), Cleide Ancelmo (“A Borboleta”), João Pires Neto (“Torpe” e “Afogadouro”), José Anderson Campos (“Ardil”) e Vanessa Pereira da Silva (“Reverso”).

50 páginas, formato 120 x 178 mm.
Contatos: joaopiresneto@gmail.com.

Sábado, Setembro 08, 2007

Curtas # 07: Trailer "30 Dias de Noite"

Na pequena cidade de Barrow, no Alaska, o sol não aparece durante 30 dias no inverno. Da escuridão e das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes do lugar. A única esperança de salvação dos moradores de Barrow é um casal de policiais, porém, esses heróis estão divididos entre proteger suas vidas ou ajudar a cidade a sobreviver até o retorno da luz do sol.
(adaptação dos quadrinhos de mesmo nome, com lançamento previsto para o dia 30 de Novembro)

Sábado, Agosto 11, 2007

Curtas # 06: Atualizações do site Boca do Inferno

Muitas atualizações nos dois últimos finais de semana:

Artigos:


À Meia-Noite Levarei Tua Alma e Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver
por João Pires Neto

Sleepaway Camp e Sleepaway Camp II por Gabriel Paixão

Alucarda por Marcelo Carrard

O Mistério Etrusco por Felipe M. Guerra

Ainda novas críticas:


Noite do Terror e Os Mensageiros
por Renato Rosatti



e os episódios da segunda temporada da série "Masters of Horror":
Pro-Life
, Sounds Like e The V Word por Antônio R. Filho

Acesse: www.bocadoinferno.com

Domingo, Julho 22, 2007

Resenha # 06: Epidemia de Zumbis

Sir James Forbes, médico e professor da Faculdade de Londres recebe uma carta desesperada de um ex-aluno, o Dr. Peter Tompson, pedindo ajuda para identificar e controlar uma extranha doença que matou várias pessoas em seu vilarejo. Sir James e Sylvia, sua filha, partem para Cornualha e acabam encontrado um terrível mistério: o corpo dos mortos pela extranha doença desapareceram. Magia negra, mortos-vivos e muito suspense ambientado na Europa do século XVIII.

Incursão da produtora Hammer no gênero "Zumbi" inspirada no clássico "Zumbi Branco" (White Zombie, de 1932, estrelado por Bela Lugosi). O último filme de horror a não sofrer influência do clássico absoluto "A Noite dos Mortos-vivos" de George Romero (Epidemia de Zumbis é de 1966 enquanto o filme de Romero é de 1968). Aqui os zumbis são resultados de magia negra e são na verdade escravos de um sinistro fidalgo. Impecável qualidade técnica somada a um bom roteiro resultando numa das melhores produções da Hammer. Lançado em DVD no Brasil pela Works.
Cotação:

Epídemia de Zumbis (The Plague of the Zombies, 1966, Inglaterra)

Direção: John Gilling.
Roteiro: Peter Bryan.
Produção: Anthony Nelson-Keys.
Música: James Bernard.
Figurino: Melissa Toth.
Direção de Arte: Don Mingaye.
Edição: Chris Barnes.
Duração: 90 min.
Distribuíção: Em pela Works Editora.

Domingo, Julho 15, 2007

Curtas # 05: Atualizações do site Boca do Inferno (14/07/07)

Zombi 3 - por Felipe M. Guerra
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/zombi.html

Jogador Misterioso - por João Pires Neto
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/jogador.html


O Homem Invísivel - por Renato Rosatti
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/homeminvi.html

O Homem Duplo - por Gabriel Paixão
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/homemduplo.html

Pumpkin Karver - A Nova Face do Terror - por Renato Rosatti
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/filmes/P/P169.html


O Massacre da Serra Elétrica - O Início - por Renato Rosatti
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/massacre2.html

A Floresta - por Renato Rosatti http://www.bocadoinferno.com/romepeige/filmes/F/F96.html

Domingo, Julho 08, 2007

Curtas # 04: Lançamentos Imperdíveis

Curtas # 04 - Lançamentos Imperdíveis!!!!
O Portal da Ressurreição (Versus, 2000, Japão)
Distribuição: Europa Filmes.
Direção: Ryuhei Kitamura.
Sinopse (fornecida pela distribuidora): Há 666 portais que conectam este mundo com o outro lado. Eles estão escondidos dentro dos seres humanos. Em algum lugar no Japão existe o portal de número 444. Quem o atravessar voltará da morte.Um grupo de homens se encontra na Floresta da Ressurreição para resgatar um perigoso prisioneiro que acaba de fugir da cadeia. Ele já matou mais de 40 pessoas. Inicia-se uma luta muito curiosa. Aqueles que são atingidos fatalmente caem, mas logo voltam ao combate. O Prisioneiro sobrevive ao chumbo grosso das pistolas e terá que duelar com O Homem, que está sedento pelo sangue da Garota, o único líquido capaz de abrir o portal. Será um festival de porradas, golpes de artes marciais fantásticos e de sangue. Apenas um sobreviverá.

O Pacto (Suicide Club/Jisatsu saakuru, 2002, Japão)
Distribuição: Europa Filmes.
Direção: Sion Sono.
Sinopse (fornecida pela distribuidora): Esta é a macabra história do suicídio coletivo de 54 garotas, todas estudantes de um mesmo colégio. Elas se atiram na frente do metrô, causando enorme comoção pública. Uma série de outras mortes de grupos espalhados por todo o país deixa a equipe do detetive Kuroda em pânico. Eles correm contra o tempo e as pistas mais atrapalham do que ajudam. Neste suspense de alto teor psicológico nada é tão simples como parece.
Ichi: O Assassino (Koroshiya 1, 2001, Japão)
Direção: Takashi Miike.
Sinopse (fornecida pelo distribuidor): O cineasta Takashi Miike veio ao mundo para chocar. Seus filmes contêm imagens fortes e personagens que fariam o mais bárbaro dos seres humanos corar de vergonha. No Japão, Anjo, um chefe da máfia Yakuza, desaparece com três milhões de yens. Os membros de sua gangue, liderados pelo masoquista Kakihara, iniciam uma busca, mas a agressividade de seus métodos sangrentos aborrece os membros de outra ganguePara complicar ainda mais, Kakihara contrata o misterioso matador Ichi, um assassino psicopata com uma infância obscura e secreta, que é controlado por um policial aposentado.Agora será provado para todos que o inferno realmente existe.
Fantasmas da Guerra (R-Point, 2004, Coréia do Sul)
Direção: Su-chang Kong
Sinopse (fornecida pelo distribuidor): Durante a guerra do Vietnã, uma base da Coréia do Sul começa a receber misteriosas transmissões de radio de soldados que estão desaparecidos há mais de seis meses. Mesmo assustada com os acontecimentos uma tropa militar é enviada para uma terra conhecida como R-Point para colher pistas sobre a localização dos soldados perdidos. O que parecia ser uma busca tranqüila e uma simples missão de resgate se torna algo muito mais terrível do que qualquer batalha.

Morrer ou Viver (Dead or Alive, 1999, Japão)
Direção: Takashi Miike.
Sinopse (fornecida pelo distribuidor): Considerado genial por Quentin Tarantino e outros mestres do cinema, o diretor Takashi Miike mostra em Morrer ou Viver toda sua criatividade para contar histórias de muita violência e brutalidade, surpreendendo a platéia a cada cena. Morrer ou Viver narra a batalha entre um policial obstinado contra os chefes das máfias orientais. Gente que tortura como esporte e mata por prazer. Com um final eletrizante, este filme já entrou para a galeria dos melhores trabalhos de Miike, um cineasta nada convencional.

Ódio (The Neighbor Nº Thirteen, 2005, Japão)
Direção: Yasuo Inoue.
Sinopse (fornecida pelo distribuidor): Quem gosta de filme de terror não deve perder "Ódio", uma obra que mexe com os nervos até de um monge budista, ao mostrar o reencontro de companheiros de escola, muitos anos depois para um acerto de contas aterrorizante.
Shidê acaba de se mudar para um pequeno apartamento, cujo vizinho é a família Akai. O rapaz é atormentado por lembranças do passado. Fantasmas perigosos que despertam seu lado sombrio e sedento de vingança.
Ele se aproxima do casal e passa a monitoras seus passos e suas conversas. Aos poucos vai se desenhando uma explosão de ódio poucas vezes vistas numa tela de cinema.

*Parabéns a distribuidora Europa Filmes por investir em distribuição de filmes orientais (ainda que a edição dos DVDs não seja muito "caprichada").

Sábado, Julho 07, 2007

Curtas # 03: Atualizações do Site Boca do Inferno

Curtas # 03 - Atualizações do site Boca do Inferno (07/07/07):


Mistério na Vila - por João Pires Neto


A Casa que Pingava Sangue - por E. R. Corrêa
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/piingo.html

Desespero - por Eduardo Amaro
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/desespero.html


Era dos Mortos - por Renato Rosatti
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/filmes/E/E110.html


Sexta-feira, Junho 29, 2007

Resenha # 17: Zombie - Despertar dos Mortos

Anne Bowles e um reporter partem em direção a uma ilha tropical à procura do pai, desaparecido misteriosamente. Quando chegam no local se deparam com mortos-vivos sedentos de carne humana.

Os vários Títulos da Obra-Prima de Fulci

"Zombie - Despertar dos Mortos" (1978), o segundo filme da série clássica de zumbis de George Romero, foi lançado por Dario Argento na Itália como "Zombi". Como picaretagem não é exclusividade das distribuidoras brasileiras, os italianos aproveitaram o sucesso comercial do filme de Romero e lançaram o longa de Fulci como "Zombi 2", sugerindo que a trama fosse uma sequência. "Zombi 2" acabou sendo o título adotado em toda a Europa. Já nos Estados Unidos o título escolhido foi "Zombie Flesh Eaters". "Zumbi 2 - A Volta dos Mortos", foi o título adotado no Brasil quando o filme foi lançado em VHS na década de 80. Recentemente, a obra-prima de Fulci foi lançada em DVD por aqui pela Works, recebendo o título definitivo de "Zombie - A Volta dos Mortos".

Fulci - O Mestre

A decisão oportunista de determinar um título que fizesse referência a uma sequência de "Despertar dos Mortos" acabou colocando o filme de Fulci em segundo plano. "Zombie - A Volta dos Mortos", permaneceu, durante muito tempo, com a fama de cópia barata de "Despertar...", como uma sequência inferior do filme de George Romero. Felizmente, o longa, foi aos poucos redescoberto e valorizado pelos fãs do cinema de horror e hoje é considerado um clássico unânime.

O diretor italiano Lucio Fulci é considerado um novo mestre no genêro, podendo ser comparado a Argento ou mesmo Romero. Sua extensa carreira como diretor inclui, além do horror, filmes de ficção científica e comédias. Mas foi no terror que sua filmografia arrebatou uma legião de fãs. Entre 1980 e 1981, Fulci filmou sua enigmática trilogia dos infernos, com "Pavor na Cidade dos Zumbis" (Paura nella città dei morti viventi), "A Casa do Além" (The Beyond/E tu vivrai nel terrore) e "A Casa do Cemitério" (Quella Villa Accanto al Cimitero). Em 1982 realizou sua versão para Jack, o estripador em "O Estripador de Nova Iorque". Infelizmente Lucio Fulci faleceu em 1996.

"Zombie - A Volta dos Mortos" é um filme realizado com poucos recursos, considerados pela crítica, trash, e pelos amantes do terror, uma obra-prima. Ficou famoso pelas sequências violentas e por introduzir mortos-vivos putrefatos, com vermes saindo de suas entranhas, levantando de suas covas. Até então, nem os zumbis de Romero eram apresentados em decomposição. E duas sequências tornaram-se antológicas por sua beleza plástica. Em uma delas, um morto-vivo se degladia com um tubarão. A sequência é plasticamente muito bonita e a trilha sonora composta por Fabio Frizzi e Giorgio Tucci a torna mais onírica ainda, por mais absurda que parece a premissa de um zumbi versus tubarão. Em outra, mais apocalíptica, uma legião de mortos-vivos marcham em direção a Nova York.

O mais incrível, é que apesar do orçamento limitado, o realismo impresso nas cenas de violência é impressionante, ainda mais quando lembramos que ainda não existia cgi na época. Fulci, como muito dos cineastas italianos, ficou famoso pela violência gráfica e desenfreada, sem pudor ou qualquer procupação com censura ou em agradar ao público. O resultado, uma obra única e estilizada.

O Elenco e o Roteiro

O elenco é composto por atores praticamente desconhecidos e a fraca atuação destes não interfere na qualidade final do filme. O elenco principal é mesmo a legião de mortos-vivos, estes sim, esbanjam talento, atingindo a todos os estômagos, até aos mais calejados. O visual decomposto dos zumbis passou a ser usual nos próximos filmes do genêro, inclusive no terceiro filme da saga de Romero, "O Dia dos Mortos". Antes de "Zombie", os mortos-vivos eram apresentados apenas como pessoas comuns, cambaleando e com o rosto azul ou branco. A maquiagem tornou-se muito mais sofisticada após o filme de Fulci.

A trama, assim como nos filmes da saga de Romero, não explica a origem dos zumbis. Em alguns momentos, os nativos da ilha onde a história se desenvolve falam em vodu, mas a teoria não é confirmada em nenhum momento. O roteiro é simples e se desenvolve linearmente sem nenhuma reviravolta. Algumas questões permanecem inexplicadas e rendem alguma discussão, porém a falta de criatividade no roteiro é compensada pela violência explícita.

Diversas pseudo-continuações foram lançadas nos anos que se seguiram. O próprio Fulci se juntou ao também italiano Bruno Mattei na direção do terrível "Zombi 3" em 1988. Pra variar, não é continuação e só tem em comum com "Zombie" os mortos-vivos. "Zombie 4 - After Death" e "Zombie 5 - Killing Birds" também são falsas continuações (o primeiro na verdade chama-se "After Death", e foi realizado em 1988, no mesmo ano de "Zombi 3"), e "Killing Birds" foi realizado em 1987 (um ano antes de "Zombi 3"). Dá pra acreditar em tanta picaretagem??

Enfim, "Zombie - A Volta dos Mortos" é uma obra única imitada a exaustão nos anos 80. Não é um filme cabeça, mas é belo, violento e divertido.

Cotação:
Zombie - A Volta dos Mortos (Zombie, Itália, 1979)

Direção: Lucio Fulci.
Roteiro: Dardano Sacchetti e Elisa Briganti.
Produção: Fabrizio De Angelis e Ugo Tucci.
Música: Fabio Frizzi e Giorgio Tucci.
Fotografia: Sergio Salvati.
Edição: Vincenzo Tomassi.
Efeitos Especiais: Giovanni Corridori, Gino De Rossi e Roberto Pace.
Figurino: Giannetto De Rossi, Mirella De Rossi, Maurizio Trani e Rosario Prestopino.
Elenco: Tisa Farrow (Anne Bowles), Ian McCulloch (Peter West), Richard Johnson (Dr. David Menard), Al Cliver (Brian Hull), Auretta Gay (Susan Barrett), Stefania D'Amario (Missey, a enfermeira) e Olga Karlatos (Paola Menard).
Duração: 91 mins.
Distribuição: Em DVD pela Works.

Sábado, Junho 23, 2007

Curtas # 02: Horror Tupiniquim is live !!! The Zombie Atack!!

Mortos-vivos invadem a terra do pau-brasil. Abaixo alguns curtas, médias e longas, alguns finalizados, outros em fase de produção:


PORTO DOS MORTOS (Beyond The Grave)

Com estréia marcada para novembro de 2008, "Beyond the Grave" (título internacional do filme) é uma mistura de horror e policial ambientada numa Porto Alegre pós-apocaliptica.

Site Oficial:
http://www.v2cinema.com/portodosmortos/index.html

Teaser:


ERA DOS MORTOS

Este média metragem já foi concluído e está disponível em DVD no site oficial.

Site Oficial:
http://www.eradosmortos.com.br/

Trailer Oficial:



A CAPITAL DOS MORTOS

Este está sendo rodado em Brasília!



Trailer:




BBZ - BIG BROTHER ZOMBIE

Curta independente de Ricardo Ghiorzi, técnico em efeitos especiais.


Teaser:


Sábado, Junho 16, 2007

Curtas # 01: Horror Tupiniquim is live !!!

Ainda inédito nos cinemas, DVDs ou e-mules da vida, "Um Lobisomem na Amazônia", ultima produção do mestre do Terrir brasileiro Ivan Cardoso só pode ser visto (pelo menos por enquanto) em algumas mostras de cinema especializadas. O filme tem ares de superprodução (pelo menos pelo elenco "global"). Atenção para o visual "Universal" clássico do lobisomem. Segue abaixo o site oficial (um pouco desatualizado) e o trailer disponível no youtube.

Site Oficial: http://www.terrir.com.br/
Trailer:

Resenha # 16: O Caçador de Bruxas

Em 1645 a Inglaterra vive o caos de uma guerra civil. Não há ordem e os juízes locais governam a mão e ferro. É neste cenário que viveu Matthew Hopkins (Vincent Price), um cruel e violento auto-intitulado caçador de bruxas. Inocentes eram torturadas e pagavam com a morte por seu supostos envolvimentos com bruxaria. Quando a jovem Sarah é presa sob a acusação de bruxaria, seu namorado, o soldado Richard Marshall parte atrás de Hopkins em busca de vingança.

O que torna este longa mais interessante é o fato do personagem Matthew Hopkins ter realmente existido. Hopkins cometeu as maiores atrocidades durante o reinado de Oliver Cromwell, na Inglaterra puritana do século XVII. Torturava e executava inocentes por supostos envolvimentos com feitiçaria.

Um dos pontos altos desta produção é a ótima fotografia, com locações em Norfolk e Sulfolk, belas pastagens contrastando com a violência e a intolerância proposital de Hopkins. O elenco é encabeçado pelo sempre ótimo Vincent Price, num dos melhores papéis de sua carreira.

É o terceiro filme do diretor Michael Reeves, que viria a se suicidar algum tempo depois, aos 26 anos. Reeves dirigira anteriormente "Revenge of Bloody Beast" (com Barbara Steele) e "Sob o Poder da Maldade" (com Boris Karloff). O Edgar Allan Poe do título em inglês nada mais é do que oportunismo desnecessário da distribuidora. Os filmes de Roger Corman, baseado em obras de Poe, faziam muito sucesso na época. Porém não existe nenhuma ligação entre o longa e o poema "Conqueror Worm", de Poe.

O filme foi lançado em DVD no Brasil pela Works Editora, como parte integrante da coleção lançada nas bancas Darkside DVD (que lançou anteriormente vários títulos da produtora inglesa Hammer). Para ter na prateleira e curtir.

Cotação:


O Caçador de Bruxas (Edgar Allan Poe's Conqueror Worm, 1968, EUA)

Direção: Michael Reeves.
Roteiro: Michael Reeves e Tom Baker baseado num poema de Edgar Allan Poe e no livro “Witchfinder General" de Ronald Basset.
Produção: Tony Tenser e Louis M. Heyward.
Música: Paul Ferris.
Direção de Arte: Jim Morahan.
Edição: Howard Lanning.
Elenco: Vincent Price (Matthew Hopkins ), Ian Ogilvy (Richard Marshall), Rupert Davies (John Lowes), Hilary Heath (Sarah Lowes), Robert Russell (John Stearne), Nicky Henson (Trooper Robert Swallow), Tony Selby (Tom Salter), Bernard Kay (Fisherman), Michael Beint (Capt. Gordon) e Godfrey James (Webb).
Duração: 87 min.

Domingo, Maio 27, 2007

Resenha # 15: Bubba Ho-Tep

Elvis Presley (Bruce Campbell) e o presidente John F. Kennedy (Ossie Davis) não morreram. Estão bem vivos, morando numa casa de repouso perdida no leste do Texas. Elvis estava cansado da fama e da vida fútil, então decidiu trocar de lugar com um imitador enquanto JFK, tornou-se negro e teve sua morte encenada pelo seu sucessor, o presidente Lyndon Johnson. Será verdade ou serão apenas dois velhos malucos? E pra complicar uma múmia devoradora de almas caminha pelos corredores escuros da casa de repouso, atrás de presas fáceis. Agora os dois velhotes vão provar que independente de quem são, lutarão como heróis pela sobrevivência de seus amigos e deles próprios.

Bubba Ho-Tep é uma das produções independentes mais festejadas dos últimos anos. Dirigido por Don Coscarelli (da série de filmes "Fantasma"), o longa agrada pelo ótimo roteiro, uma mistura de horror, aventura e comédia. O próprio Don Coscarelli adaptou brilhantemente o conto de Joe R. Lansdale. Com Bubba Ho-Tep, Coscarelli e Bruce Campbell provam que estão em excelente fase, provavelmente o melhor trabalho dos dois, pelo menos até agora. Campbell, já conhecido pelos fãs por trabalhos na cultuada série "Evil Dead", faz uma interpretação memorável de Elvis, encarnando um Rei do Rock humano e arrependido dos erros cometidos na juventude, e que encontra forças para se redimir enfrentando o ser maligno que se esconde nos porões do asilo.

O filme transcende os gêneros horror ou humor, sendo diversas vezes tocante, apresentando dois personagens esquecidos e abandonados num asilo, fato comum na vida real. Bubba Ho-Tep abocanhou vários prêmios nos diversos festivais de cinema fantástico dos quais participou ao redor do mundo e já pode ser considerado "cult", por ser um dos filmes mais bacanas lançados nos últimos tempos.

Cotação:
Bubba Ho-Tep (Bubba Ho-Tep, 2002, EUA)
Direção: Don Coscarelli.
Roteiro: Don Coscarelli baseado no conto de Joe R. Lansdale.
Produção: Don Coscarelli e Jason R. Savage.
Música: Brian Tyler.
Desenho de Produção: Vicent Peranio.
Direção de Arte: Justin Zaharczuk.
Edição: Scott J. Gill e Donald Milne.
Elenco: Bruce Campbell (Elvis ), Ossie Davis (Jack), Reggie Bannister (Erika), Bob Ivy (Tristen), Ella Joyce (A enfermeira), Heidi Marnhout (Callie), Larry Pennell (Kemosabe) e Harrison Young (Bull Thomas).
Distribuição: Inédito no Brasil.

Sábado, Maio 19, 2007

Resenha # 14: O Homem de Palha

O oficial da polícia escocesa Howie viaja para a remota ilha de Summersisle com a missão de investigar a denúncia do desaparecimento de uma criança. Na ilha, todos o tratam friamente e negam a existência de tal garota. Quanto mais investiga, mais confuso fica Howie. A ilha parece ser uma comunidade pagã, onde adoram-se diversos deuses e prega-se o amor livre. Howie desconfia que um crime possa ter sido cometido na ilha, e suas investigações o levam a um confronto com o líder espiritual da ilha, Lord Summerisle.

O diretor Robin Hardy conseguiu, com “O Homem de Palha”, ultrapassar o limite do horror pragmático do começo da década de setenta, quando ainda reinavam os últimos vampiros da lendária Hammer. E embora a recepção do público e da crítica tenha sido um tanto quanto fria na época de seu tumultuado lançamento, o longa acabou redescoberto com o passar dos anos e atraiu gradualmente o que se tornaria uma verdadeira legião de fãs.

“O Homem de Palha” é um filme de terror pouco convencional. Sem sangue e sem mortes. A deslumbrante concepção visual é o ponto forte do longa, que capricha no visual onírico e perturbador. A personagem central explora um universo desconhecido e bizarro, que se opõe completamente a sua educação conservadora e religiosa. Este embate de crenças, entre o cristianismo e o paganismo, é o conflito em que se centra a trama. A sexualidade, oprimida pelas religiões cristãs, é explícita desde os primeiros momentos do filme. A insinuação sexual, e as cenas de nus femininos, que parecem desnecessárias e oportunistas a princípio, tornam-se apenas mais um fator de estranheza, num cenário lírico e cheio de símbolos. A trama, que começa despretensiosa, evolui de forma surpreendente de policial para o verdadeiro horror. A atmosfera, a sensação crescente de solidão e deslocamento da personagem central, transporta o espectador para o universo pagão do filme. O inevitável e inesperado final surge como um anticlímax perturbador e nada convencional.
A curiosa trilha sonora, composta por Paul Giovanni, inclui verdadeiras canções celtas de exaltação a fertilidade feminina. Mais um ingrediente na atmosfera lúgubre do filme.

O elenco é encabeçado pelo aristocrático Edward Woodward, que interpreta o Sargento Howie, um íntegro e religioso oficial da polícia escocesa. O lendário Christopher Lee, imortalizado como o Conde Drácula, interpreta magistralmente o líder religioso e político Lord Summerisle.

Considerado por muitos críticos uma obra-prima do moderno cinema de horror, “O Homem de Palha” permanece ousado e provocativo. É essencial para todo amante da sétima arte, principalmente diante do oportunista remake de 2006 protagonizado por Nicolas Cage (chamado de "O Sacrifício").
Cotação:

O Homem de Palha (The Wicker Man, 1974, Inglaterra)
Direção: Robin Hardy.
Roteiro: Anthony Shaffer.
Produção: Peter Snell.
Fotografia: Harry Waxman.
Maquiagem: Billy Partleton.
Música: Paul Giovanni.
Edição: Eric Boyd-Perkins.
Elenco: Christopher Lee (Lord Summerisle), Edward Woodward (Sargento Howie), Britt Ekland (Willow), Ingrid Pitt (Bibliotecária), Diane Cilento (Srta. Rose), Lindsay Kemp (Alder MacGregor), Russell Waters (Mestre do Porto), Aubrey Morris (Coveiro), Irene Sunters (May Morrison), Geraldine Cowper (Rowan Morrison) e Donald Eccles (T. H. Lennox).
Distribuição: Em DVD pela Works.

Segunda-feira, Maio 14, 2007

Resenha # 12:. A Festa do Monstro Maluco

O Barão e cientista Boris von Frankenstein, líder da Organização Mundial dos Monstros, acaba de fazer a maior descoberta de sua carreira como vilão. Uma fórmula secreta capaz de destruir qualquer matéria. Após o grande feito, o Barão decide se aposentar enquanto está no auge. Ele reúne, em uma festa em sua ilha particular, uma galera um tanto quanto esquisita. Entre os convidados estão o Conde Drácula, o Lobisomem, Dr. Jekyll e Sr. Hyde, a Múmia, o Homem Invisível, o Corcunda de Notre Dame, o Monstro da Lagoa Negra, a Criatura de Frankenstein e sua Noiva. Durante a reunião, o Barão decide anunciar seu sobrinho, o jovem e ingênuo Felix Flankin, como seu sucessor. Mas a galera do mal arma um plano para acabar com o herdeiro do cientista, roubar sua fórmula secreta e tomar o posto de líder dos monstros.

"A Festa do Monstro Maluco" é com certeza um dos mais cultuados longametragens de animação de bonecos (tudo bem, não existem tantos assim, mas isso não retira seu status de cult). Presença obrigatória nas Sessões da Tarde da década de 70, influenciou diretamente e indiretamente, entre outros, cineastas como Tim Burton ( "O Estranho Mundo de Jack" e "A Noiva Cadáver"). Uma pequena jóia da história do cinema, filmado em stop-motion (também batizado de animagic), "A Festa do Monstro Maluco" foi realizado por uma trupe da pesada: a direção ficou a cargo de Jules Bass (que dirigiu outro cult do stop-motion, "Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho"), o roteiro é de Harvey Kurtzman (criador da revista Mad), os personagens foram desenhados por Jack Davis (entre seus trabalhos estão a Mad e a Tales from the Crypt), os posters e anúncios da divulgação foram ilustrados por Frank Frazetta e a voz do Barão Von Frankenstein foi dublada por nada menos do que o lendário Bóris Karloff (em um de seus últimos trabalhos).

O filme em si, é uma deliciosa mistura de comédia, terror e musical. A trilha sonora é composta de jazz e rock. Num desses momentos inesquecíveis, uma simpática banda de esqueletos toca uma divertida canção chamada "Mummy" (em "A Noiva Cadáver" há uma sequência muito parecida). Enfim, altamente indicado para crianças e para nós, crianças crescidas.

Cotação:

A Festa do Monstro Maluco (Mad Monster Party, 1967, EUA)

Direção: Jules Bass.
Roteiro: Len Korobkin, Harvey Kurtzman e Arthur Rankin Jr..
Produção: Joseph E. Levine, Arthur Rankin Jr. e Larry Roemer.
Fotografia e Animação: Tad Mochinaga.
Coreógrafo: "Killer Joe" Piro.
Desenho dos personagens: Jack Davis.
Música: Maury Laws.
Edição: Tad Mochinaga.
Elenco: Boris Karloff (Barão Boris von Frankenstein, voz), Allen Swift (Felix Flankin/Yetch/Dracula/Invisible Man/Dr. Jekyll/Sr. Hyde, vozes) e Gale Garnett (Francesca, voz).
Duração: 94 mins.
Distribuição: Em DVD pela Works.

Sexta-feira, Abril 27, 2007

Resenha # 11: A Seita


O corpo mutilado de uma garotinha é encontrado num tonel de água. Os laudos da perícia concluem que a criança é a filha desaparecida de Claudia. Cinco anos depois, Claudia recebe uma ligação desesperada de uma jovem dizendo ser sua filha. Ela se une então ao poilicial responsável pelo caso de sua filha na época do crime. Juntos se envolvem numa perigosa investigação, que os leva ao encontro de uma seita chamada "Os Sem-nome".

O diretor e roteirista espanhol Jaume Balagueró é o também responsável pelo thriller "A Sétima Vítima" (Darkness, 2002). Tanto "A Seita" quanto "A Sétima Vitíma" abordam de forma interessante o tema "seitas diabólicas".

Em "A Seita", o próprio Balagueró constrói o brilhante roteiro, adaptado da história original de Ramsey Campbell. No desenrolar da trama as informações são dosadas e nem tudo é explicado, instigando sempre a imaginação do expectador, diferentemente do cinema norte-americano, onde tudo é explicado diversas vezes, como se o público fosse estúpido e ignorante (desculpem, mas não resisti em fazer tal comentário). Além dos diálogos bem trabalhados e algumas sequências de violência explícita (só para ilustrar, imagine um mamilo arrancado com um alicate), o final desconcertante e pessimista é o grande ápice de "A Seita".

Vencedor de dezenas de premiações ao redor do mundo, entre eles o grande prêmio de fantasia européia no FESTIVAL INTERNACIONAL DA CATALUNHA (além do prêmio de atriz para Emma Vilarasau e fotografia para Xavi Giménez), melhor filme estrangeiro no FESTIVAL DE CINEMA FANT-ASIA, melhor filme no FANTAFESTIVAL, prêmio de direção e crítica no FANTASPORTO e de filme no FESTIVAL DE CINEMA FANTÁSTICO DE BRUXELAS.

Indo novamente contra os padrões ianques, a ausência de ação em "A Seita", infelizmente acaba sendo o ponto de desagrado para a maioria do público não familiarizado com as produções européias. Mas o roteiro bem desenvolvido, o elenco dedicado e competente e a direção segura de Jaume Balagueró garantem "A Seita" um status grande filme, ainda que ignorado pelo grande público e pela crítica "mainstream".

Com "A Seita" e "A Sétima Vítima", Jaume Balagueró junta-se a Alejandro Amenábar ("Tesis", "Abra Los Ojos" e "Os Outros") e Álex de la Iglesia ("O Dia da Besta" e "A Comunidade"), como princípais representantes da boa safra de novos diretores espanhois dedicados ao fenêro fantástico.

cotação

A Seita (Los Sin Nombre, The Nameless, 1999, Espanha)
Direção: Jaume Balagueró.
Roteiro: Jaume Balagueró baseado na obra de Ramsey Campbell.
Produção: Jaume Balagueró, Carlos Fernández, Julio Fernández e Joan Ginard. Fotografia: Albert Carreras Xavi Giménez.
Edição: Luis De La Madrid.
Música: Carles Cases.
Direção de Arte: Matías Tikas.
Elenco: Emma Vilarasau (Claudia Horts de Gifford), Karra Elejalde (Bruno Massera), Tristán Ulloa (Quiroga), Toni Sevilla (Franco), Brendan Price (Marc Gifford), Jordi Dauder (Patologista), Núria Cano (Policial), Isabel Ampudia (Secretária) e Pep Tosar (Toni).
Duração: 102 mins.
Distribuição: Em DVD pela LK- Tel Vídeo.

Sábado, Março 31, 2007

Resenha # 10: Noite de Pânico/Sozinho no Escuro

Acompanhar o cotidiano de perigosos internos faz parte da rotina do psiquiatra Dr. Potter em seu novo emprego. Profetas, lunáticos, assassinos, estupradores estão trancados no último andar do hospital estadual para doentes mentais. Toda a segurança do local é eletrônica, todas as portas e janelas são ativadas (abrem ou fecham) por um dispositivo inteligente. Entre os pacientes mais perigosos do setor estão Frank (Jack Palance), o Pastor Byron (Martin Landau) e Ronald (Lidth), um molestador de crianças. O diretor do hospital é Dr. Bain (Donald Pleasence), um homem pacato e respeitado pelos internos.

O pesadelo, para Dr. Potter e sua família começa quando os internos, liderados pelo violento Frank, começam a suspeitar que Potter assassinou o antigo psiquiatra (o que fica claro, desde o princípio, não passar de "loucura"). A situação fica realmente preta ("piadinha infame") quando um black-out deixa toda a região sem energia elétrica. Com a falta da eletricidade, o equipamento de segurança do hospital entra em pane e diversos internos escapam. Inclusive os perigosos Frank, Pastor Byron e Ronald, que planejam uma terrível vingança contra o Dr. Potter, quem eles julgam ser um assassino. É apenas o começo de uma noite de pânico.

"Noite de Pânico", foi o título usado pela distribuidora na época do VHS. Lançado em DVD recentemente pela Works, "Alone in the Dark" recebeu um título que é a tradução literal de seu original: "Sozinho no Escuro" (não confundir com o terrível "Alone in the Dark", de Uwe Boll). Dirigido por Jack Sholder, de "A Hora do Pesadelo 2" e "The Hiden - O Escondido", "Sozinho no Escuro" passou despercebido pela década de 80. A direção de Sholder é convencional, mas competente. O elenco é o ponto forte do filme. Afiadíssimo, ele consegue reunir astros como Jack Palance (interpretou o Conde em "Drácula", de Dan Curtis), Martin Landau (que interpretou Bela Lugosi em "Ed Wood", de Tim Burton) e Donald Pleasence (o persistente Dr. Loomis, da série "Halloween"). Conta ainda com Dwight Schultz, como Dr. Dan Potter. Como? Não se lembram de Dwight? É, é ele mesmo. O Capitão Murdock, da série "Esquadrão Classe A" (ok, nem todo mundo tem mais de trinta).

Por fim, "Sozinho no Escuro" é um grande filme desconhecido, não só pelo elenco, mas também pelo roteiro, que em determinado momento lembra "A Noite dos Mortos Vivos" de Romero. Todos os loucos estão lá fora. E estão sedentos por sangue.

cotação:
Noite de Pânico/Sozinho no Escuro (Alone in the Dark, 1982, EUA)

Direção: Jack Sholder.
Roteiro:
Jack Sholder, Robert Shaye e Michael Harrpster.
Produção: Benni Korzen, Sara Risher e Robert Shaye.
Fotografia: Joseph Mangine.
Música: Renato Serio.
Edição: Arline Garson.
Elenco: Jack Palance (Frank Hawkes), Donald Pleasence (Dr. Leo Bain), Martin Landau (Pastor Byron Sutcliff), Dwight Schultz (Dr. Dan Potter), Erland van Lidth (Ronald "Gordo" Elster), Deborah Hedwall (Nell Potter), Lee Taylor-Allan (Toni Potter), Phillip Clark (Tom Smith), Elizabeth Ward (Lyla Potter) e Brent Jennings (Ray Curtis).
Duração: 92 mins.
Distribuição: Em DVD pela Works.

Sexta-feira, Março 02, 2007

Resenha # 09: A Companhia dos Lobos

A adolescente Rosaleen é atormentada por pesadelos envolvendo lobisomens. Numa viagem sobrenatural a um mundo de fantasia, a jovem vai encarar um destino cruel e inevitável.

“Uma menina, uma história para dormir. O cenário familiar da infância. E contida nos lobos estão as forças do mal que irão triunfar sem um final feliz. Mas este não é um conto de fadas. É aqui que a lenda termina e começa a sobrevivência, mas os sonhos infantis não prometem o final feliz. A criança não é um adulto e o lobo não é humano. Este é o mundo sombrio que há entre as páginas dos contos de fadas. Negá-lo é matar a criança que existe na alma. Entrar nele é matar os sonhos de infância. A Companhia dos Lobos é a companhia que temos, mesmo em nossos sonhos.”

Uma jornada visual e onírica, cheio de simbolismo. Um dos melhores filmes de horror/fantasia da década de oitenta. Com roteiro inspirado na fábula Chapeuzinho Vermelho, o longa narra de forma simbólica os desejos, a culpa e as dúvidas surgidas na adolescência. Pesadelos e realidade se misturam, sempre tendo como ponto em comum os lobisomens. Seriam estes lobos, que rasgam os peitos dos homens e "devoram" garotinhas, o "sexo"? O filme é aberto a diversas interpretações e cada detalhe tem um significado, o vermelho do sangue é o mesmo vermelho do "desejo"? Neil Jordan (de "Entrevista com Vampiros") realiza seu primeiro e melhor filme, que abocanhou prêmios merecidos por todo canto do mundo onde foi exibido. Os cenários ("Companhia dos Lobos" foi quase todo filmado em estúdio) são deslumbrantes, a trilha sonora é marcante, o roteiro original, o elenco talentoso conta com a presença de Stephen Rea, o ator preferido de Jordan e ainda a aparição de Terence Stamp no papel do Diabo. Um exercício para a mente e para os olhos.
cotação

A Companhia dos Lobos (The Company of Wolves, 1984, Inglaterra)
Direção: Neil Jordan.
Roteiro: Neil Jordan, baseado no conto "Chapeuzinho Vermelho", de Angela Carter.
Produção: Chris Brown.
Música: George Fenton.
Direção de Fotografia: Bryan Loftus.
Figurino: Elizabeth Waller.
Edição: Rodney Holland.
Elenco: Sarah Patterson (Rosaleen), Angela Lansbury (Granny), David Warner (Pai), Graham Crowden (Padre), Georgia Slowe (Alice), Kathryn Pogson (Noiva), Stephen Rea (Noivo), Tusse Silberg (Mãe), Terence Stamp (Diabo) e Micha Bergese (Caçador).
Distribuição:
Em DVD pela Flashstar Filmes.

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Resenha # 08: Banquete de Sangue



Numa tradução literal para o português, o verbo “to slash” significa cortar ou ferir. Já os chamados “slasher movies” são filmes que possuem algumas características distintas. Não exatamente como regra, mas sim como traços comuns aos slashers, estão os roteiros toscos, atores canastrões, nudez gratuita e, é claro, sangue e tripas pra todo lado. Exemplos famosos deste respeitado gênero cinematográfico são as intermináveis séries “Sexta-Feira 13” e “Halloween”.

Retrocedendo quase meio século, buscamos a origem dos “slashers”. No exato ano de 1960, o realizador japonês Nobuo Nakagaw concebeu “Jigoku” (Hell). Filme extremamente cruel, recheado de torturas e de todo tipo de atrocidades. Na trama, dois amigos acabam no inferno depois de atropelarem um bêbado. Embora ousasse ser explicitamente violento, faltava a “Jigoku” a despretensão do “slasher”.

Banquete de Sangue” (Blood Feast) foi dirigido apenas três anos depois pelo publicitário americano Herchell Gordon Lewis. A produção é paupérrima, a atuação do elenco é amadora, a trilha sonora é terrível e o roteiro é repleto de falhas. Mas há sangue, muito sangue. E se não há garotas completamente nuas, lá estão elas apenas de roupas íntimas (detalhe para as “minúsculas” calcinhas). Ironias à parte, “Banquete de Sangue” foi um sucesso, apesar de filmado em apenas nove dias com um orçamento limitadíssimo de 25 mil dólares, acabou faturando mais de 4 milhões apenas nos Estados Unidos. Pela despretensão, repercussão e polêmica, “Banquete de Sangue” é considerado por muitos o primeiro “Slasher Movie” do cinema, embora o longa de Nobuo Nakagaw fosse mais violento e explicito, além de produzido alguns anos antes.

Uma bela jovem é assassinada dentro de uma banheira, com uma facada no olho. Sua perna é amputada. A seqüência toda é mostrada em detalhes. Assim começa “Banquete de Sangue”, impiedoso e sem remorsos. Não há suspense ou segredo quanto à autoria dos crimes, já que a identidade do assassino é revelada ainda nos primeiros minutos do filme. Seu nome é Fuad Ramsés, dono de um buffet de comida exótica e adorador da deusa egípcia Ishtar. Seu plano é usar “partes” das garotas assassinadas num macabro ritual de ressurreição.

“Banquete de Sangue”, apesar de ser indiscutivelmente um filme ruim, é um divisor de águas no cinema de horror. A violência nos filmes, que antes era apenas sugerida, agora era exibida e em cores vivas. O diretor Herchell Gordon Lewis inicialmente investiu em uma carreira totalmente dedicada aos filmes de horror de baixo orçamento. Ainda nos anos 60 realizou "2000 Maníacos" (recentemente refilmado com o ator Robert Englund como protagonista) e “Color Me Blood Red” (ambos de1964), “The Gruesome Twosome” (66), “A Taste of Blood” (67), “The Wizard of Gore” (68) e “The Gore-Gore Girls” (71). A mesma fórmula, violência explícita, mutilações, decapitações, vísceras e uma grande diversidade de agressões foi usada por Lewis em todas estas produções, o que acabou lhe rendendo o título de Pai do Gore.

E todo o êxito de “Banquete de Sangue” é mérito de H. G. Lewis, pois é responsável, além da direção, pelos efeitos, pela idéia original, produção, fotografia e a insuportável trilha sonora.

Quase 40 anos depois, contrariando a regra, Lewis dirigiu uma seqüência superior ao original chamada “Blood Feast 2: All Us Can Eat”. O primeiro filme chegou a ser em lançado em VHS no Brasil pela extinta Sunrise, mas continuam ambos inéditos em DVD. Em 1989 foi realizada ainda uma péssima refilmagem chamada "Um Jantar Sangrento" (Blood Diner).

Depois de quatro décadas de “slasher movies”, “Banquete de Sangue” cristalizou-se como fundador deste sub-gênero e serve hoje, muito mais como um documento histórico do que exatamente diversão.
Cotação
Banquete de Sangue (Blood Feast, 1963, EUA)
Direção: Herchell Gordon Lewis.
Roteiro:
Allison Louise Downe.
Produção: Herchell Gordon Lewis.
Fotografia: Herchell Gordon Lewis.
Edição:
Frank Romolo e Robert Sinise.
Música: Herchell Gordon Lewis.
Elenco: William Kerwin (Det. Pete Thornton), Mal Arnold (Fuad Ramsés), Connie Mason (Suzette Fremont), Lyn Bolton (Sra Dorothy Fremont) e Scott H. Hall (Capitão de Polícia).
Distribuição: Inédito em DVD.

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Resenha # 07: Aniversário Macabro


No dia em que completaria 17 anos, a jovem Mari Collingwood e uma amiga acabam nas mãos de perversos fugitivos. Enquanto seus pais preparam uma festa de aniversário surpresa, Mari e sua amiga são violentadas e mortas. No dia seguinte os assassinos pedem abrigo na casa dos pais de sua vítima. Os criminosos não suspeitam do terrível destino que os aguarda.

Produzido por Sean S. Cunningham (o criador da cinessérie "Sexta-Feira 13") e dirigido por Wes Craven (idealizador do personagem "Freddy Krueger" e da série "Pânico"), "The Last House on the Left", que foi chamado de "Aniversário Macabro" no Brasil, é um dos filmes mais controversos do cinema, por apresentar cenas de grande violência e nudez que chocaram o público e a crítica da época. Foi diversas vezes cortado e restaurado pela censura norte-americana, ficando ainda assim proibida a sua exibição em vários países durante muitos anos.

O roteiro de Ingmar Bergman para "A Fonte e a Donzela" (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1959) é transportado para o começo dos anos 70. Após a indigesta derrota no Vietnã, a geração hippie "Paz e Amor" aos poucos é substituída por uma nova geração, que vive a ressaca de drogas pesadas usadas pelos pais e está a mercê da violência gratuita. É este clima de selvageria e insegurança que é retratado em "Aniversário Macabro". A violência narrada no filme é nua e crua, sem a estilização gráfica dos filmes atuais, o que torna o filme muito mais indigesto e incômodo. As jovens Mari e sua amiga são torturadas e violentadas num clima de crueldade quase insuportável até a metade do filme. Na segunda metade o desejo pela vingança é compartilhado com o expectador, na punição extrema imposta pelos pais de Mari aos algozes da filha.

"Aniversário Macabro" é o primeiro trabalho de Wes Craven, que dirigiria pelo menos mais um filme "nestes moldes" antes de escolher o caminho mais comercial (e mais lucrativo): "Quadrilhas de Sádicos" (recentemente refilmado como “Viagem Maldita”), que conta a história de uma família que se perde num deserto e é atacada por canibais.

É, "the dream is over".
Cotação:

Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972, EUA)
Direção: Wes Craven.
Roteiro: Wes Craven. Produção: Sean S. Cunningham.
Fotografia: Victor Hurwitz.
Edição: Wes Craven.
Música:
David Hess.
Figurino: Susan E. Cunningham.
Elenco: Sandra Cassel (Mari Collingwood), Lucy Grantham (Phyllis Stone), David Hess (Krug Stillo), Fred J. Lincoln (Fred Lincoln), Jeramie Rain (Sadie), Marc Sheffler (Junior Stillo), Gaylord St. James (Dr. John Collingwood) e Cynthia Carr (Estelle Collingwood).
Duração: 84 min.
Distribuição: Em VHS pela Argovídeo.

Sábado, Dezembro 23, 2006

Resenha # 06: O Monstro da Lagoa Negra


Um arqueólogo descobre, na região Amazônica, uma pata fossilizada que seria de um animal extinto (uma espécie desconhecida de anfíbio). Concluindo que esta poderia ser uma grande descoberta, reúne outros cientistas numa nova expedição a fim de encontrar o resto do fóssil. Após uma investigação descobrem que os restos do fóssil estão depositados nas profundezas da Lagoa Negra (um lago de águas escuras praticamente intocado pelo ser humano). Acabam penetrando então no habitat de uma estranha criatura que reage com violência, ferindo e matando os integrantes do grupo de pesquisadores.

"No começo, Deus criou o céu e a terra, e a terra era vazia e sem forma. Veio então o planeta Terra, recém nascido e esfriando rapidamente de uma temperatura de 6000 graus a umas poucas centenas em menos de cinco bilhões de anos. O calor se eleva, encontra a atmosfera, formam-se as nuvens e a chuva desaba sobre a endurecida superfície por séculos sem conta. Surge o mar revolto, encontra obstáculos, é contido, começa o mistério da vida. Aparecem coisas vivas em infinita variedade e se transformam e atingem a terra, deixando o registro de sua vinda, de sua luta para sobreviver e de seu fim eventual. O registro da vida é escrito na terra onde 50 milhões de anos depois, no âmago da região do Amazonas, o homem ainda tenta decifrá-lo."

Estas são as palavras introduzem este belo clássico da Universal (produtora responsável pelas primeiras adaptações dos monstros mais famosos do cinema, como "Frankenstein", "A Noiva de Frankenstein", "Drácula" e "Lobisomem" entre outros). "O Monstro da Lagoa Negra" rendeu ainda outras duas boas seqüências "A Revolta do Monstro", em 1955 e "The Creature Walks Among Us", em 1956.

Tecnicamente, conta com a eficiente direção de Jack Arnold, que já tinha em seu currículum outras obras que marcaram o cinema Sci-Fi/Horror na década de 50 ("Veio do Espaço" (It Came From Outer Space, em 1953) e "O Incrível Homem Que Encolheu" (The Incredible Shrinking Man, em 1957)), atuação competente (incluindo a bela Kay, interpretada por Julia Adams) e ótima trilha sonora composta por William E. Snyder. Outro ponto marcante são as ótimas e bem filmadas sequências embaixo da água

Cientistas gringos ganânciosos invadindo nossa Amazônia perturbando a paz de um ser milenar. A premissa parece atual e o filme soa como um alerta ecológico em pleno anos 50. Destaque para a seqüência maravilhosa em que a bela Kay atira um cigarro na lagoa. Enquanto o cigarro afunda, a Criatura observa perplexa seu habitat sendo poluído. É fácil e óbvio concluir que o verdadeiro monstro é, quase sempre, o ser humano.

Cotação:

O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954, EUA)
Direção: Jack Arnold.
Roteiro: Harry Essex & Arthur Ross, baseado em história de Maurice Zimm.
Elenco: Richard Denning (Mark Williams), Richard Carlson (David Reed), Julia Adams (Kay), Antonio Moreno (Carl Maia), Nestor Paiva (Lucas), Whit Bissell (Dr. Thompson), Bernie Gozier (Leo), Henry Escalante (Chico) Produção: William Alland.
Música: William E. Snyder.
Direção de Arte: Bernard Herzbrun & Hilyard Brown.
Edição: Ted J. Kent.
Distribuição: Em DVD pela Universal Home Video.

Domingo, Dezembro 17, 2006

Resenha # 05: Mortos Que Matam

O temor de que vírus ou bactérias desconhecidas venham a dizimar a raça humana não é um pesadelo tão recente assim. Esta sombria perspectiva já era retratada na clássica novela de Richard Matheson em 1954. Em “I am a Legend”, uma estranha epidemia devasta o planeta. As pessoas contaminadas retornam depois de mortas, em forma de vampiros-zumbis. A trama foi adaptada para o cinema pela primeira vez em 1964 (“The Last Man on Earth”) e refilmado apenas sete anos depois como “The Omega Man”, recebendo o dramático título em português “A Última Esperança da Terra” e contando com o astro Charlton Heston no papel principal. Uma nova releitura da obra de Matheson será lançada em 2007, com Will Smith no papel do protagonista. A direção ficará a cargo de Francis Lawrence (de "Constantine") e o elenco ainda contará com o ator Johnny Depp.

Em “Mortos que Matam”, Vincent Price vive Robert Morgan, um cientista que acredita ser o único sobrevivente de uma catástrofe que praticamente eliminou os humanos da face da Terra. Os infectados retornam da morte como criaturas com características vampirescas: caminham apenas quando o sol se põe, temem alho e espelhos. Morgan age como um caçador de vampiros, durante o dia as persegue e as elimina, cravando estaca em seus corações. Durante a noite se refugia em casa, protegendo as portas com réstias de alho e espelhos.

O baixo orçamento da produção é compensado pela atuação sempre convincente do astro Vincent Price (o eterno e “Abominável Dr. Phibes”). O roteiro peca, por não explorar o suficiente a “reviravolta” da trama escrita por Matheson, mas não chega a comprometer o resultado final.

É impossível, após assistir “Mortos que Matam”, não deixar de lado a idéia “teimosa” de afirmar que todos os filmes de zumbis do mundo foram totalmente influenciados pela “Noite dos Mortos Vivos” de Romero. Romero, sim, foi influenciado pela obra de Matheson.

Cotação:

Mortos que Matam (The Last Man on Earth, EUA/Itália, 1964)
Direção: Sidney Salkow; Ubaldo Ragona
Roteiro: Logan Swanson e William P. Leicester
Produção: Robert L. Lippert.
Música: Paul Sawtell e Bert Shefter
Fotografia: Franco Della Colli.
Direção de Arte: Giorgio Giovannini.
Maquiagem: Piero Mecacci.
Edição: Gene Ruggiero; Franca Silvi.
Elenco: Vincent Price (Robert Morgan), Franco Bettoia (Ruth Collins), Emma Danieli (Virginia Morgan), Giacomo Rossi-Stuart (Ben Cortman), Umberto Rau; Christi Courtland (Kathy Morgan); Antonio Corevi; Ettore Ribotta.
Distribuição: Em DVD pela Multimedia Group.

Sábado, Dezembro 16, 2006

Resenha # 04: Expresso do Horror


Durante uma expedição arqueológica à Manchúria, realizada no início do século passado, o professor inglês Alexander Saxton (Christopher Lee) descobre numa caverna um ser meio homem, meio macaco, congelado há mais de dois milhões de anos. O fóssil está perfeitamente preservado e pode revolucionar toda a ciência, tornando Saxton extremamente famoso.

Alexander Saxton resolve transportar o fóssil até a Europa através do trem Trans-Siberiano. No trem ele encontra outro cientista, o curioso Dr. Wells (Peter Cushing). Assim começa a terrível viagem. Após se descongelar e fugir do baú onde estava preso, o humanóide começa a fazer diversas vitímas no trem. Os dois cientistas se unem tentando compreender e destruir a estranha criatura, cujos assassinatos parecem esconder um propósito bem maior.

"Expresso do Horror" é uma delirante e divertida co-produção entre a Espanha e a Inglaterra orquestrada pelo hispânico Eugenio Martín. O longa, como uma legítima produção B, contou com um orçamento minúsculo (todo usado nos salários dos atores), cenários de segunda-mão e um roteiro pra lá de maluco, que mistura terror e ficção científica.

O elenco conta com Peter Cushing e Christopher Lee, que repetem a parceria de sucesso realizada nas produções da Hammer da década de 60. Mas a grande surpresa no elenco é a participação do ator Telly "Kojak" Savalas, interpretando o maluco Capitão Kazan, num dos momentos mais divertidos do filme.

Não é nenhuma obra-prima e nem se tornou cult, porém é um clássico absoluto das madrugadas da televisão aberta brasileira, onde foi exibido a exaustão nos idos anos 80. E é toda a despretensão e criatividade do filme que o torna delicioso, bem-humorado e interessante.

Cotação:

Expresso do Horror (Horror Express, 1973, Inglaterra/Espanha)
Direção: Eugenio Martin.
Roteiro: Arnaud d'Usseau e Julian Zimet.
Produção: Bernard Gordon.
Fotografia: Alejandro Ulloa.
Música: John Cacavas.
Edição: Robert C. Dearberg.
Direção de Arte: Dana Andreianu.
Elenco: Christopher Lee (Professor Alexander Saxton), Peter Cushing (Dr. Wells), Alberto de Mendoza (Padre Pujardov), Silvia Tortosa (Condessa Irina Petrovska), Julio Peña (Inspetor Mirov), Ángel del Pozo (Yevtushenko), Helga Liné (Natasha), Alice Reinheart (Srta. Jones) e Telly Savalas (Capitão Kazan).
Distribuição: Em DVD pela Works.

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Resenha # 03: Black Sabath: As Três Máscaras do Terror


Sir Ozzy Osbourne nunca viu este filme. Mas numa bela tarde dos psicodélicos anos sessenta, notou um cartaz publicitário de "I Tre volti della paura", ou "Black Sabath", como seria chamado na Terra da Rainha. Neste cartaz, Bela Lugosi cavalga alucinado, carregando uma cabeça decepada. "- Se eles ganham dinheiro fazendo filmes que assustam as pessoas, nós ganharemos fazendo músicas que assustam as pessoas!". Então Ozzy mudou o nome de sua banda de Earth para Black Sabath. Formava-se então uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.
“Black Sabath: As Três Mácaras do Terror” é uma coleção de três contos que se tornaram clássicos do cinema de horror. O primeiro, "O Telefone" (The Telephone) conta a história de uma bela mulher que é ameaçada de morte pelo telefone. No episódio seguinte, "O Wordulak" (The Wordulak), uma família aguarda o retorno do patriarca, que enfim volta ao lar, porém contaminado por um vampiro. No último episódio, chamado "A Gota d'água" (The Drop of Water), o fantasma de uma condessa retorna do além para cobrar um anel roubado durante o preparativo para seu funeral.
O cinema de horror italiano revisitou o genêro, ao construir na década de 60, as diretrizes de um universo repleto de sofisticação visual, forjado em cores berrantes e ambientado em uma atmosfera barroca regada pelo sobrenatural e pelas forças ocultas. Mario Bava foi o grande expoente deste movimento. Mais do que isso, Bava desenhou a evolução deste movimento, que resultaria no Giallo. "Amarelo" (Giallo em italiano), é uma espécie de thriller que derivou dos livretos de suspense cujas capas eram amarelas (assim como o cinema Noir, preto em francês, vem dos livros policiais cujas capas eram negras). Nos Giallo de Bava e Dario Argento alguns elementos se tornaram marca registrada, como o assassino em série mascarado, sempre impiedoso, qual vemos apenas seus passos e suas mãos armada com instrumentos cortantes. "O Telefone" é um genuíno Giallo. Repleto de detalhes, que sufocam o expectador, assim como sufoca a vítima, uma bela prostituta chamada Rosi. Um enredo simples, que se resume a uma noite em que a jovem recebe várias ligações a ameaçado de morte. Com medo de ficar só, Rosi convida sua ex-amante Mary para dormir em sua casa. A trama culmina num terrível assassinato. Ciúmes, líbido e morte. O expectador mais atento pode notar ainda uma influência direta deste conto na seqüência inicial do horror teen de Wes Craven, Pânico.
A brilhante união entre dois monstros sagrados do cinema de horror, Boris Karloff e Mario Bava, resultou no segundo conto, "O Wurdulak". Este é o mais longo dos segmentos. É uma história de vampiros, onde Gorka (Karloff), um camponês russo é transformado em um Wurdulak (um tipo de vampiro que suga apenas o sangue das pessoas que ama) e ameaça toda sua família. A fotografia repleta de cores vivas, as sombras e formas "expressionistas", a direção de arte e os cenários, tudo perfeitamente entrelaçado numa verdadeira obra-prima de horror. Tudo isso ainda estrelado pelo veterano Karloff. Destaque para a sinistra sequência em que o "garotinho", já transformado, grita pela mãe.
A trama do último segmento bem poderia ser o roteiro de um filme de terror Japonês. A premissa é simples, um espírito se vinga de uma enfermeira que lhe roubou uma jóia. "A Gota d'água", apesar da simplicidade do roteiro, é o mais aterrorizante dos contos. Todo detalhe, inclusive o sufocante som da "gota d'água", a mosca, somam pra materializar todo o medo sentido pela enfermeira Maria. Outra pequena obra-prima, que apenas comprova a maestria e o brilhantismo de Bava.
São três contos, "três máscaras do terror". A primeira máscara, em "O Telefone" é a sexualidade, que acaba motivando a violência e o assassinato. A segunda, em "O Wurdulak", é a família corrompida por um membro contaminado. A terceira máscara, em "A Gota d'água" é a loucura, a perda da capacidade de distinguir o real do pesadelo.
A versão de "Black Sabbath: As três Máscaras do Terror" lançada pela Works aqui no Brasil é a original, italiana. Os distribuidores americanos, na época em que o filme foi lançado nos E.U.A., inverteram a ordem dos contos, mudaram a trilha sonora, deceparam o filme conseguindo transformar uma obra-prima em um filme medíocre (parecem que são experts nisso, não?).
Cotação:
Black Sabath: As Três Máscaras do Terror (Black Sabbath, 1963, Itália)
Direção: Mario Bava.
Roteiro: Alberto Bevilacqua e Marcello Fondato.
Produção: Salvatore Billitteri.
Fotografia: Ubaldo Terzano.
Edição: Mario Serandrei.
Música: Roberto Nicolosi.
Direção de Arte: Giorgio Giovannini.
Cenografia: Riccardo Domenici.
Figurino: Trini Grani.
Maquiagem: Otello Fava.
Edição de Som: Kay Rose.
Elenco: Episódio "The Telephone": Michèle Mercier (Rosy) e Lidia Alfonsi (Mary). Episódio "The Wurdalak": Boris Karloff (Gorca), Mark Damon (Vladimire d'Urfe), Susy Andersen (Sdenka), Massimo Righi (Pietro) e Glauco Onorato (Giorgio). Episódio "The Drop of Water": Rika Dialina (Maria), Jacqueline Pierreux (Helen Chester), Gustavo De Nardo (Inspetor de Polícia) e Harriet Medin (Empregada de Helen Chester's).
Distribuição: Em DVD pela Works.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Resenha # 02: As Sete Faces do Dr Lao

Presença certa na memória dos que viveram sua infância nos anos 80, "As Sete Faces do Dr. Lao" é um filme destes que não se fazem mais. Ou talvez destes que se fazem com o passar dos anos. Exibido uma dezena de vezes na Sessão da Tarde, "As Sete Faces do Dr. Lao" é tão enigmático quanto elementar. Inicialmente destinado ao público infantil, o filme, assim como a personagem "Dr Lao", se desdobra, podendo ser apreciado, tanto pelas crianças quantos pelos adultos, principalmente os mais saudosistas.

Produzido numa época em que os computadores ainda eram objetos de ficção científica (o filme é de 63), "Dr Lao" é um brinde visual, cujo os efeitos em stop motion lhe renderam a indicação ao Oscar de Efeitos Especiais em 1964. A fábula começa quando "Dr. Lao", um simpático chinês de 7322 anos chega à cidade de Abalone, no Arizona. Dr. Lao avisa a todos que está chegando também à cidade o seu circo, com atrações únicas, nunca antes vistas. Entretanto o povo da cidade parece cético e ter outras preocupações, como a do "inescrupuloso" rancheiro Clint Stark, que deseja comprar todas as casas da cidade. Mas o que acontece nos dias seguintes acaba mudando o destino de todos. Nas apresentações do circo, sem que ninguém sequer desconfie, o mágico chinês se multiplica em personagens pra lá de curiosos: o bruxo Merlin, o vidente Apolônio de Tiana, o deus da diversão Pan, a mitológica Medusa, uma cobra falante e o Abominável Homem das Neves.

O circo do Dr. Lao é, na verdade, uma espécie de espelho, onde são refletidos os valores e sentimentos escondidos das pessoas que o visitam.
"O mundo inteiro é um circo
se você souber olhar para ele.
Como o sol se põe quando você está cansado
e nasce quando você levanta.
Isso é mágica de verdade.
O modo como uma folha cresce.
O canto dos pássaros.
Como o deserto fica à noite,
quando a luz da lua o envolve.
Oh, meu garoto...
isto é circo bastante para qualquer um.
Sempre que você vê um arco-íris
e seu coração se maravilha com isso.
Sempre que você pega um punhado de areia,
e não vê areia, mas sim um mistério,
uma maravilha em sua mão.
Toda vez que você pára e pensa:
Estou vivo, e estar vivo é fantástico!
Sempre que algo assim acontece,
você é parte do Circo do Dr. Lao."
(Dr. Lao, se justificando para um garotinho que pede para trabalhar no circo)

Baseado no livro de Charle G. Finney, dirigido por George Pal , que já tinha em seu currículum "A Máquina do Tempo" e interpretado por astros como Tony Randall (num papel que inicialmente teria sido oferecido a Peter Sellers) e Barbara Edem (a imortal "Jeannie é um Gênio") no papel da mocinha, "As Sete Faces do Dr. Lao" continua (e continuará) cativante e encantador, infelizmente ainda inédito no mercado nacional de DVDs.
Cotação:

As 7 Faces of Dr. Lao (7 Faces of Dr Lao, EUA, 1964)
Direção: George Pal.
Roteiro: Charles Beaumont, baseado em livro de Charles G. Finney.
Música: Leigh Harline.
Fotografia: Robert J. Bronner.
Direção de Arte: George W. Davis e Gabriel Scognamillo.
Edição: George Tomasini.
Elenco: Tony Randall (Dr. Lao / Merlin / Pan / Abominável Homem da Neve / Medusa / Serpente gigante / Apolônio de Tiana / Integrante do público), Barbara Eden (Angela Benedict), Arthur O'Connell (Clint Stark) e John Ericson (Ed Cunningham).
Distribuição: Inédito em DVD.

Domingo, Dezembro 10, 2006

Resenha # 01: População 436

Pequenas e bucólicas cidades do interior são sempre cenários perfeitos para grandes segredos. Em Rockwell Falls não é diferente. Lá as pessoas são felizes, não há violência ou crimes. Entretanto toda esta aparente tranqüilidade é posto à prova quando o agente do senso Steve Kady (Jeremy Sisto, do seriado "Sete Palmos") chega até o local. A principio todos são amigáveis e ho