Resenha # 03: Black Sabath: As Três Máscaras do Terror


Sir Ozzy Osbourne nunca viu este filme. Mas numa bela tarde dos psicodélicos anos sessenta, notou um cartaz publicitário de "I Tre volti della paura", ou "Black Sabath", como seria chamado na Terra da Rainha. Neste cartaz, Bela Lugosi cavalga alucinado, carregando uma cabeça decepada. "- Se eles ganham dinheiro fazendo filmes que assustam as pessoas, nós ganharemos fazendo músicas que assustam as pessoas!". Então Ozzy mudou o nome de sua banda de Earth para Black Sabath. Formava-se então uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.
“Black Sabath: As Três Mácaras do Terror” é uma coleção de três contos que se tornaram clássicos do cinema de horror. O primeiro, "O Telefone" (The Telephone) conta a história de uma bela mulher que é ameaçada de morte pelo telefone. No episódio seguinte, "O Wordulak" (The Wordulak), uma família aguarda o retorno do patriarca, que enfim volta ao lar, porém contaminado por um vampiro. No último episódio, chamado "A Gota d'água" (The Drop of Water), o fantasma de uma condessa retorna do além para cobrar um anel roubado durante o preparativo para seu funeral.
O cinema de horror italiano revisitou o genêro, ao construir na década de 60, as diretrizes de um universo repleto de sofisticação visual, forjado em cores berrantes e ambientado em uma atmosfera barroca regada pelo sobrenatural e pelas forças ocultas. Mario Bava foi o grande expoente deste movimento. Mais do que isso, Bava desenhou a evolução deste movimento, que resultaria no Giallo. "Amarelo" (Giallo em italiano), é uma espécie de thriller que derivou dos livretos de suspense cujas capas eram amarelas (assim como o cinema Noir, preto em francês, vem dos livros policiais cujas capas eram negras). Nos Giallo de Bava e Dario Argento alguns elementos se tornaram marca registrada, como o assassino em série mascarado, sempre impiedoso, qual vemos apenas seus passos e suas mãos armada com instrumentos cortantes. "O Telefone" é um genuíno Giallo. Repleto de detalhes, que sufocam o expectador, assim como sufoca a vítima, uma bela prostituta chamada Rosi. Um enredo simples, que se resume a uma noite em que a jovem recebe várias ligações a ameaçado de morte. Com medo de ficar só, Rosi convida sua ex-amante Mary para dormir em sua casa. A trama culmina num terrível assassinato. Ciúmes, líbido e morte. O expectador mais atento pode notar ainda uma influência direta deste conto na seqüência inicial do horror teen de Wes Craven, Pânico.
A brilhante união entre dois monstros sagrados do cinema de horror, Boris Karloff e Mario Bava, resultou no segundo conto, "O Wurdulak". Este é o mais longo dos segmentos. É uma história de vampiros, onde Gorka (Karloff), um camponês russo é transformado em um Wurdulak (um tipo de vampiro que suga apenas o sangue das pessoas que ama) e ameaça toda sua família. A fotografia repleta de cores vivas, as sombras e formas "expressionistas", a direção de arte e os cenários, tudo perfeitamente entrelaçado numa verdadeira obra-prima de horror. Tudo isso ainda estrelado pelo veterano Karloff. Destaque para a sinistra sequência em que o "garotinho", já transformado, grita pela mãe.
A trama do último segmento bem poderia ser o roteiro de um filme de terror Japonês. A premissa é simples, um espírito se vinga de uma enfermeira que lhe roubou uma jóia. "A Gota d'água", apesar da simplicidade do roteiro, é o mais aterrorizante dos contos. Todo detalhe, inclusive o sufocante som da "gota d'água", a mosca, somam pra materializar todo o medo sentido pela enfermeira Maria. Outra pequena obra-prima, que apenas comprova a maestria e o brilhantismo de Bava.
São três contos, "três máscaras do terror". A primeira máscara, em "O Telefone" é a sexualidade, que acaba motivando a violência e o assassinato. A segunda, em "O Wurdulak", é a família corrompida por um membro contaminado. A terceira máscara, em "A Gota d'água" é a loucura, a perda da capacidade de distinguir o real do pesadelo.
A versão de "Black Sabbath: As três Máscaras do Terror" lançada pela Works aqui no Brasil é a original, italiana. Os distribuidores americanos, na época em que o filme foi lançado nos E.U.A., inverteram a ordem dos contos, mudaram a trilha sonora, deceparam o filme conseguindo transformar uma obra-prima em um filme medíocre (parecem que são experts nisso, não?).
Cotação:
Black Sabath: As Três Máscaras do Terror (Black Sabbath, 1963, Itália)
Direção: Mario Bava.
Roteiro: Alberto Bevilacqua e Marcello Fondato.
Produção: Salvatore Billitteri.
Fotografia: Ubaldo Terzano.
Edição: Mario Serandrei.
Música: Roberto Nicolosi.
Direção de Arte: Giorgio Giovannini.
Cenografia: Riccardo Domenici.
Figurino: Trini Grani.
Maquiagem: Otello Fava.
Edição de Som: Kay Rose.
Elenco: Episódio "The Telephone": Michèle Mercier (Rosy) e Lidia Alfonsi (Mary). Episódio "The Wurdalak": Boris Karloff (Gorca), Mark Damon (Vladimire d'Urfe), Susy Andersen (Sdenka), Massimo Righi (Pietro) e Glauco Onorato (Giorgio). Episódio "The Drop of Water": Rika Dialina (Maria), Jacqueline Pierreux (Helen Chester), Gustavo De Nardo (Inspetor de Polícia) e Harriet Medin (Empregada de Helen Chester's).
Distribuição: Em DVD pela Works.

2 comentários:

  1. matheus so disse...:

    interessante. eu sabia que o nome da banda existia porcausa de um filme trash mas não sabia que este filme estava disponível para ser visto. valeeeeeeeeu

  1. Kaos disse...:

    Não chega a ser trash...na verdade, pra quem curte o genero, é um ótimo filme....

 
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