Resenha # 06: O Monstro da Lagoa Negra


Um arqueólogo descobre, na região Amazônica, uma pata fossilizada que seria de um animal extinto (uma espécie desconhecida de anfíbio). Concluindo que esta poderia ser uma grande descoberta, reúne outros cientistas numa nova expedição a fim de encontrar o resto do fóssil. Após uma investigação descobrem que os restos do fóssil estão depositados nas profundezas da Lagoa Negra (um lago de águas escuras praticamente intocado pelo ser humano). Acabam penetrando então no habitat de uma estranha criatura que reage com violência, ferindo e matando os integrantes do grupo de pesquisadores.

"No começo, Deus criou o céu e a terra, e a terra era vazia e sem forma. Veio então o planeta Terra, recém nascido e esfriando rapidamente de uma temperatura de 6000 graus a umas poucas centenas em menos de cinco bilhões de anos. O calor se eleva, encontra a atmosfera, formam-se as nuvens e a chuva desaba sobre a endurecida superfície por séculos sem conta. Surge o mar revolto, encontra obstáculos, é contido, começa o mistério da vida. Aparecem coisas vivas em infinita variedade e se transformam e atingem a terra, deixando o registro de sua vinda, de sua luta para sobreviver e de seu fim eventual. O registro da vida é escrito na terra onde 50 milhões de anos depois, no âmago da região do Amazonas, o homem ainda tenta decifrá-lo."

Estas são as palavras introduzem este belo clássico da Universal (produtora responsável pelas primeiras adaptações dos monstros mais famosos do cinema, como "Frankenstein", "A Noiva de Frankenstein", "Drácula" e "Lobisomem" entre outros). "O Monstro da Lagoa Negra" rendeu ainda outras duas boas seqüências "A Revolta do Monstro", em 1955 e "The Creature Walks Among Us", em 1956.

Tecnicamente, conta com a eficiente direção de Jack Arnold, que já tinha em seu currículum outras obras que marcaram o cinema Sci-Fi/Horror na década de 50 ("Veio do Espaço" (It Came From Outer Space, em 1953) e "O Incrível Homem Que Encolheu" (The Incredible Shrinking Man, em 1957)), atuação competente (incluindo a bela Kay, interpretada por Julia Adams) e ótima trilha sonora composta por William E. Snyder. Outro ponto marcante são as ótimas e bem filmadas sequências embaixo da água

Cientistas gringos ganânciosos invadindo nossa Amazônia perturbando a paz de um ser milenar. A premissa parece atual e o filme soa como um alerta ecológico em pleno anos 50. Destaque para a seqüência maravilhosa em que a bela Kay atira um cigarro na lagoa. Enquanto o cigarro afunda, a Criatura observa perplexa seu habitat sendo poluído. É fácil e óbvio concluir que o verdadeiro monstro é, quase sempre, o ser humano.

Cotação:

O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954, EUA)
Direção: Jack Arnold.
Roteiro: Harry Essex & Arthur Ross, baseado em história de Maurice Zimm.
Elenco: Richard Denning (Mark Williams), Richard Carlson (David Reed), Julia Adams (Kay), Antonio Moreno (Carl Maia), Nestor Paiva (Lucas), Whit Bissell (Dr. Thompson), Bernie Gozier (Leo), Henry Escalante (Chico) Produção: William Alland.
Música: William E. Snyder.
Direção de Arte: Bernard Herzbrun & Hilyard Brown.
Edição: Ted J. Kent.
Distribuição: Em DVD pela Universal Home Video.

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