Resenha # 08: Banquete de Sangue



Numa tradução literal para o português, o verbo “to slash” significa cortar ou ferir. Já os chamados “slasher movies” são filmes que possuem algumas características distintas. Não exatamente como regra, mas sim como traços comuns aos slashers, estão os roteiros toscos, atores canastrões, nudez gratuita e, é claro, sangue e tripas pra todo lado. Exemplos famosos deste respeitado gênero cinematográfico são as intermináveis séries “Sexta-Feira 13” e “Halloween”.

Retrocedendo quase meio século, buscamos a origem dos “slashers”. No exato ano de 1960, o realizador japonês Nobuo Nakagaw concebeu “Jigoku” (Hell). Filme extremamente cruel, recheado de torturas e de todo tipo de atrocidades. Na trama, dois amigos acabam no inferno depois de atropelarem um bêbado. Embora ousasse ser explicitamente violento, faltava a “Jigoku” a despretensão do “slasher”.

Banquete de Sangue” (Blood Feast) foi dirigido apenas três anos depois pelo publicitário americano Herchell Gordon Lewis. A produção é paupérrima, a atuação do elenco é amadora, a trilha sonora é terrível e o roteiro é repleto de falhas. Mas há sangue, muito sangue. E se não há garotas completamente nuas, lá estão elas apenas de roupas íntimas (detalhe para as “minúsculas” calcinhas). Ironias à parte, “Banquete de Sangue” foi um sucesso, apesar de filmado em apenas nove dias com um orçamento limitadíssimo de 25 mil dólares, acabou faturando mais de 4 milhões apenas nos Estados Unidos. Pela despretensão, repercussão e polêmica, “Banquete de Sangue” é considerado por muitos o primeiro “Slasher Movie” do cinema, embora o longa de Nobuo Nakagaw fosse mais violento e explicito, além de produzido alguns anos antes.

Uma bela jovem é assassinada dentro de uma banheira, com uma facada no olho. Sua perna é amputada. A seqüência toda é mostrada em detalhes. Assim começa “Banquete de Sangue”, impiedoso e sem remorsos. Não há suspense ou segredo quanto à autoria dos crimes, já que a identidade do assassino é revelada ainda nos primeiros minutos do filme. Seu nome é Fuad Ramsés, dono de um buffet de comida exótica e adorador da deusa egípcia Ishtar. Seu plano é usar “partes” das garotas assassinadas num macabro ritual de ressurreição.

“Banquete de Sangue”, apesar de ser indiscutivelmente um filme ruim, é um divisor de águas no cinema de horror. A violência nos filmes, que antes era apenas sugerida, agora era exibida e em cores vivas. O diretor Herchell Gordon Lewis inicialmente investiu em uma carreira totalmente dedicada aos filmes de horror de baixo orçamento. Ainda nos anos 60 realizou "2000 Maníacos" (recentemente refilmado com o ator Robert Englund como protagonista) e “Color Me Blood Red” (ambos de1964), “The Gruesome Twosome” (66), “A Taste of Blood” (67), “The Wizard of Gore” (68) e “The Gore-Gore Girls” (71). A mesma fórmula, violência explícita, mutilações, decapitações, vísceras e uma grande diversidade de agressões foi usada por Lewis em todas estas produções, o que acabou lhe rendendo o título de Pai do Gore.

E todo o êxito de “Banquete de Sangue” é mérito de H. G. Lewis, pois é responsável, além da direção, pelos efeitos, pela idéia original, produção, fotografia e a insuportável trilha sonora.

Quase 40 anos depois, contrariando a regra, Lewis dirigiu uma seqüência superior ao original chamada “Blood Feast 2: All Us Can Eat”. O primeiro filme chegou a ser em lançado em VHS no Brasil pela extinta Sunrise, mas continuam ambos inéditos em DVD. Em 1989 foi realizada ainda uma péssima refilmagem chamada "Um Jantar Sangrento" (Blood Diner).

Depois de quatro décadas de “slasher movies”, “Banquete de Sangue” cristalizou-se como fundador deste sub-gênero e serve hoje, muito mais como um documento histórico do que exatamente diversão.
Cotação
Banquete de Sangue (Blood Feast, 1963, EUA)
Direção: Herchell Gordon Lewis.
Roteiro:
Allison Louise Downe.
Produção: Herchell Gordon Lewis.
Fotografia: Herchell Gordon Lewis.
Edição:
Frank Romolo e Robert Sinise.
Música: Herchell Gordon Lewis.
Elenco: William Kerwin (Det. Pete Thornton), Mal Arnold (Fuad Ramsés), Connie Mason (Suzette Fremont), Lyn Bolton (Sra Dorothy Fremont) e Scott H. Hall (Capitão de Polícia).
Distribuição: Inédito em DVD.

1 comentários:

  1. Kollision disse...:

    Muito legal o seu blog, Kaos. Ainda não pude assistir a Blood Feast, mas espero ter a chance em breve.

 
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