Resenha # 14: O Homem de Palha

O oficial da polícia escocesa Howie viaja para a remota ilha de Summersisle com a missão de investigar a denúncia do desaparecimento de uma criança. Na ilha, todos o tratam friamente e negam a existência de tal garota. Quanto mais investiga, mais confuso fica Howie. A ilha parece ser uma comunidade pagã, onde adoram-se diversos deuses e prega-se o amor livre. Howie desconfia que um crime possa ter sido cometido na ilha, e suas investigações o levam a um confronto com o líder espiritual da ilha, Lord Summerisle.

O diretor Robin Hardy conseguiu, com “O Homem de Palha”, ultrapassar o limite do horror pragmático do começo da década de setenta, quando ainda reinavam os últimos vampiros da lendária Hammer. E embora a recepção do público e da crítica tenha sido um tanto quanto fria na época de seu tumultuado lançamento, o longa acabou redescoberto com o passar dos anos e atraiu gradualmente o que se tornaria uma verdadeira legião de fãs.

“O Homem de Palha” é um filme de terror pouco convencional. Sem sangue e sem mortes. A deslumbrante concepção visual é o ponto forte do longa, que capricha no visual onírico e perturbador. A personagem central explora um universo desconhecido e bizarro, que se opõe completamente a sua educação conservadora e religiosa. Este embate de crenças, entre o cristianismo e o paganismo, é o conflito em que se centra a trama. A sexualidade, oprimida pelas religiões cristãs, é explícita desde os primeiros momentos do filme. A insinuação sexual, e as cenas de nus femininos, que parecem desnecessárias e oportunistas a princípio, tornam-se apenas mais um fator de estranheza, num cenário lírico e cheio de símbolos. A trama, que começa despretensiosa, evolui de forma surpreendente de policial para o verdadeiro horror. A atmosfera, a sensação crescente de solidão e deslocamento da personagem central, transporta o espectador para o universo pagão do filme. O inevitável e inesperado final surge como um anticlímax perturbador e nada convencional.
A curiosa trilha sonora, composta por Paul Giovanni, inclui verdadeiras canções celtas de exaltação a fertilidade feminina. Mais um ingrediente na atmosfera lúgubre do filme.

O elenco é encabeçado pelo aristocrático Edward Woodward, que interpreta o Sargento Howie, um íntegro e religioso oficial da polícia escocesa. O lendário Christopher Lee, imortalizado como o Conde Drácula, interpreta magistralmente o líder religioso e político Lord Summerisle.

Considerado por muitos críticos uma obra-prima do moderno cinema de horror, “O Homem de Palha” permanece ousado e provocativo. É essencial para todo amante da sétima arte, principalmente diante do oportunista remake de 2006 protagonizado por Nicolas Cage (chamado de "O Sacrifício").
Cotação:

O Homem de Palha (The Wicker Man, 1974, Inglaterra)
Direção: Robin Hardy.
Roteiro: Anthony Shaffer.
Produção: Peter Snell.
Fotografia: Harry Waxman.
Maquiagem: Billy Partleton.
Música: Paul Giovanni.
Edição: Eric Boyd-Perkins.
Elenco: Christopher Lee (Lord Summerisle), Edward Woodward (Sargento Howie), Britt Ekland (Willow), Ingrid Pitt (Bibliotecária), Diane Cilento (Srta. Rose), Lindsay Kemp (Alder MacGregor), Russell Waters (Mestre do Porto), Aubrey Morris (Coveiro), Irene Sunters (May Morrison), Geraldine Cowper (Rowan Morrison) e Donald Eccles (T. H. Lennox).
Distribuição: Em DVD pela Works.

1 comentários:

  1. Bakemon disse...:

    O final é simplesmente épico. Já o remake é uma das piores coisas que vi este ano. Deplorável.

 
nocturnia Z © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour