Resenha # 10: Noite de Pânico/Sozinho no Escuro

Acompanhar o cotidiano de perigosos internos faz parte da rotina do psiquiatra Dr. Potter em seu novo emprego. Profetas, lunáticos, assassinos, estupradores estão trancados no último andar do hospital estadual para doentes mentais. Toda a segurança do local é eletrônica, todas as portas e janelas são ativadas (abrem ou fecham) por um dispositivo inteligente. Entre os pacientes mais perigosos do setor estão Frank (Jack Palance), o Pastor Byron (Martin Landau) e Ronald (Lidth), um molestador de crianças. O diretor do hospital é Dr. Bain (Donald Pleasence), um homem pacato e respeitado pelos internos.

O pesadelo, para Dr. Potter e sua família começa quando os internos, liderados pelo violento Frank, começam a suspeitar que Potter assassinou o antigo psiquiatra (o que fica claro, desde o princípio, não passar de "loucura"). A situação fica realmente preta ("piadinha infame") quando um black-out deixa toda a região sem energia elétrica. Com a falta da eletricidade, o equipamento de segurança do hospital entra em pane e diversos internos escapam. Inclusive os perigosos Frank, Pastor Byron e Ronald, que planejam uma terrível vingança contra o Dr. Potter, quem eles julgam ser um assassino. É apenas o começo de uma noite de pânico.

"Noite de Pânico", foi o título usado pela distribuidora na época do VHS. Lançado em DVD recentemente pela Works, "Alone in the Dark" recebeu um título que é a tradução literal de seu original: "Sozinho no Escuro" (não confundir com o terrível "Alone in the Dark", de Uwe Boll). Dirigido por Jack Sholder, de "A Hora do Pesadelo 2" e "The Hiden - O Escondido", "Sozinho no Escuro" passou despercebido pela década de 80. A direção de Sholder é convencional, mas competente. O elenco é o ponto forte do filme. Afiadíssimo, ele consegue reunir astros como Jack Palance (interpretou o Conde em "Drácula", de Dan Curtis), Martin Landau (que interpretou Bela Lugosi em "Ed Wood", de Tim Burton) e Donald Pleasence (o persistente Dr. Loomis, da série "Halloween"). Conta ainda com Dwight Schultz, como Dr. Dan Potter. Como? Não se lembram de Dwight? É, é ele mesmo. O Capitão Murdock, da série "Esquadrão Classe A" (ok, nem todo mundo tem mais de trinta).

Por fim, "Sozinho no Escuro" é um grande filme desconhecido, não só pelo elenco, mas também pelo roteiro, que em determinado momento lembra "A Noite dos Mortos Vivos" de Romero. Todos os loucos estão lá fora. E estão sedentos por sangue.

cotação:
Noite de Pânico/Sozinho no Escuro (Alone in the Dark, 1982, EUA)

Direção: Jack Sholder.
Roteiro:
Jack Sholder, Robert Shaye e Michael Harrpster.
Produção: Benni Korzen, Sara Risher e Robert Shaye.
Fotografia: Joseph Mangine.
Música: Renato Serio.
Edição: Arline Garson.
Elenco: Jack Palance (Frank Hawkes), Donald Pleasence (Dr. Leo Bain), Martin Landau (Pastor Byron Sutcliff), Dwight Schultz (Dr. Dan Potter), Erland van Lidth (Ronald "Gordo" Elster), Deborah Hedwall (Nell Potter), Lee Taylor-Allan (Toni Potter), Phillip Clark (Tom Smith), Elizabeth Ward (Lyla Potter) e Brent Jennings (Ray Curtis).
Duração: 92 mins.
Distribuição: Em DVD pela Works.

Resenha # 09: A Companhia dos Lobos

A adolescente Rosaleen é atormentada por pesadelos envolvendo lobisomens. Numa viagem sobrenatural a um mundo de fantasia, a jovem vai encarar um destino cruel e inevitável.

“Uma menina, uma história para dormir. O cenário familiar da infância. E contida nos lobos estão as forças do mal que irão triunfar sem um final feliz. Mas este não é um conto de fadas. É aqui que a lenda termina e começa a sobrevivência, mas os sonhos infantis não prometem o final feliz. A criança não é um adulto e o lobo não é humano. Este é o mundo sombrio que há entre as páginas dos contos de fadas. Negá-lo é matar a criança que existe na alma. Entrar nele é matar os sonhos de infância. A Companhia dos Lobos é a companhia que temos, mesmo em nossos sonhos.”

Uma jornada visual e onírica, cheio de simbolismo. Um dos melhores filmes de horror/fantasia da década de oitenta. Com roteiro inspirado na fábula Chapeuzinho Vermelho, o longa narra de forma simbólica os desejos, a culpa e as dúvidas surgidas na adolescência. Pesadelos e realidade se misturam, sempre tendo como ponto em comum os lobisomens. Seriam estes lobos, que rasgam os peitos dos homens e "devoram" garotinhas, o "sexo"? O filme é aberto a diversas interpretações e cada detalhe tem um significado, o vermelho do sangue é o mesmo vermelho do "desejo"? Neil Jordan (de "Entrevista com Vampiros") realiza seu primeiro e melhor filme, que abocanhou prêmios merecidos por todo canto do mundo onde foi exibido. Os cenários ("Companhia dos Lobos" foi quase todo filmado em estúdio) são deslumbrantes, a trilha sonora é marcante, o roteiro original, o elenco talentoso conta com a presença de Stephen Rea, o ator preferido de Jordan e ainda a aparição de Terence Stamp no papel do Diabo. Um exercício para a mente e para os olhos.
cotação

A Companhia dos Lobos (The Company of Wolves, 1984, Inglaterra)
Direção: Neil Jordan.
Roteiro: Neil Jordan, baseado no conto "Chapeuzinho Vermelho", de Angela Carter.
Produção: Chris Brown.
Música: George Fenton.
Direção de Fotografia: Bryan Loftus.
Figurino: Elizabeth Waller.
Edição: Rodney Holland.
Elenco: Sarah Patterson (Rosaleen), Angela Lansbury (Granny), David Warner (Pai), Graham Crowden (Padre), Georgia Slowe (Alice), Kathryn Pogson (Noiva), Stephen Rea (Noivo), Tusse Silberg (Mãe), Terence Stamp (Diabo) e Micha Bergese (Caçador).
Distribuição:
Em DVD pela Flashstar Filmes.

 
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