Resenha # 15: Bubba Ho-Tep

Elvis Presley (Bruce Campbell) e o presidente John F. Kennedy (Ossie Davis) não morreram. Estão bem vivos, morando numa casa de repouso perdida no leste do Texas. Elvis estava cansado da fama e da vida fútil, então decidiu trocar de lugar com um imitador enquanto JFK, tornou-se negro e teve sua morte encenada pelo seu sucessor, o presidente Lyndon Johnson. Será verdade ou serão apenas dois velhos malucos? E pra complicar uma múmia devoradora de almas caminha pelos corredores escuros da casa de repouso, atrás de presas fáceis. Agora os dois velhotes vão provar que independente de quem são, lutarão como heróis pela sobrevivência de seus amigos e deles próprios.

Bubba Ho-Tep é uma das produções independentes mais festejadas dos últimos anos. Dirigido por Don Coscarelli (da série de filmes "Fantasma"), o longa agrada pelo ótimo roteiro, uma mistura de horror, aventura e comédia. O próprio Don Coscarelli adaptou brilhantemente o conto de Joe R. Lansdale. Com Bubba Ho-Tep, Coscarelli e Bruce Campbell provam que estão em excelente fase, provavelmente o melhor trabalho dos dois, pelo menos até agora. Campbell, já conhecido pelos fãs por trabalhos na cultuada série "Evil Dead", faz uma interpretação memorável de Elvis, encarnando um Rei do Rock humano e arrependido dos erros cometidos na juventude, e que encontra forças para se redimir enfrentando o ser maligno que se esconde nos porões do asilo.

O filme transcende os gêneros horror ou humor, sendo diversas vezes tocante, apresentando dois personagens esquecidos e abandonados num asilo, fato comum na vida real. Bubba Ho-Tep abocanhou vários prêmios nos diversos festivais de cinema fantástico dos quais participou ao redor do mundo e já pode ser considerado "cult", por ser um dos filmes mais bacanas lançados nos últimos tempos.

Cotação:
Bubba Ho-Tep (Bubba Ho-Tep, 2002, EUA)
Direção: Don Coscarelli.
Roteiro: Don Coscarelli baseado no conto de Joe R. Lansdale.
Produção: Don Coscarelli e Jason R. Savage.
Música: Brian Tyler.
Desenho de Produção: Vicent Peranio.
Direção de Arte: Justin Zaharczuk.
Edição: Scott J. Gill e Donald Milne.
Elenco: Bruce Campbell (Elvis ), Ossie Davis (Jack), Reggie Bannister (Erika), Bob Ivy (Tristen), Ella Joyce (A enfermeira), Heidi Marnhout (Callie), Larry Pennell (Kemosabe) e Harrison Young (Bull Thomas).
Distribuição: Inédito no Brasil.

Resenha # 14: O Homem de Palha

O oficial da polícia escocesa Howie viaja para a remota ilha de Summersisle com a missão de investigar a denúncia do desaparecimento de uma criança. Na ilha, todos o tratam friamente e negam a existência de tal garota. Quanto mais investiga, mais confuso fica Howie. A ilha parece ser uma comunidade pagã, onde adoram-se diversos deuses e prega-se o amor livre. Howie desconfia que um crime possa ter sido cometido na ilha, e suas investigações o levam a um confronto com o líder espiritual da ilha, Lord Summerisle.

O diretor Robin Hardy conseguiu, com “O Homem de Palha”, ultrapassar o limite do horror pragmático do começo da década de setenta, quando ainda reinavam os últimos vampiros da lendária Hammer. E embora a recepção do público e da crítica tenha sido um tanto quanto fria na época de seu tumultuado lançamento, o longa acabou redescoberto com o passar dos anos e atraiu gradualmente o que se tornaria uma verdadeira legião de fãs.

“O Homem de Palha” é um filme de terror pouco convencional. Sem sangue e sem mortes. A deslumbrante concepção visual é o ponto forte do longa, que capricha no visual onírico e perturbador. A personagem central explora um universo desconhecido e bizarro, que se opõe completamente a sua educação conservadora e religiosa. Este embate de crenças, entre o cristianismo e o paganismo, é o conflito em que se centra a trama. A sexualidade, oprimida pelas religiões cristãs, é explícita desde os primeiros momentos do filme. A insinuação sexual, e as cenas de nus femininos, que parecem desnecessárias e oportunistas a princípio, tornam-se apenas mais um fator de estranheza, num cenário lírico e cheio de símbolos. A trama, que começa despretensiosa, evolui de forma surpreendente de policial para o verdadeiro horror. A atmosfera, a sensação crescente de solidão e deslocamento da personagem central, transporta o espectador para o universo pagão do filme. O inevitável e inesperado final surge como um anticlímax perturbador e nada convencional.
A curiosa trilha sonora, composta por Paul Giovanni, inclui verdadeiras canções celtas de exaltação a fertilidade feminina. Mais um ingrediente na atmosfera lúgubre do filme.

O elenco é encabeçado pelo aristocrático Edward Woodward, que interpreta o Sargento Howie, um íntegro e religioso oficial da polícia escocesa. O lendário Christopher Lee, imortalizado como o Conde Drácula, interpreta magistralmente o líder religioso e político Lord Summerisle.

Considerado por muitos críticos uma obra-prima do moderno cinema de horror, “O Homem de Palha” permanece ousado e provocativo. É essencial para todo amante da sétima arte, principalmente diante do oportunista remake de 2006 protagonizado por Nicolas Cage (chamado de "O Sacrifício").
Cotação:

O Homem de Palha (The Wicker Man, 1974, Inglaterra)
Direção: Robin Hardy.
Roteiro: Anthony Shaffer.
Produção: Peter Snell.
Fotografia: Harry Waxman.
Maquiagem: Billy Partleton.
Música: Paul Giovanni.
Edição: Eric Boyd-Perkins.
Elenco: Christopher Lee (Lord Summerisle), Edward Woodward (Sargento Howie), Britt Ekland (Willow), Ingrid Pitt (Bibliotecária), Diane Cilento (Srta. Rose), Lindsay Kemp (Alder MacGregor), Russell Waters (Mestre do Porto), Aubrey Morris (Coveiro), Irene Sunters (May Morrison), Geraldine Cowper (Rowan Morrison) e Donald Eccles (T. H. Lennox).
Distribuição: Em DVD pela Works.

Resenha # 12:. A Festa do Monstro Maluco

O Barão e cientista Boris von Frankenstein, líder da Organização Mundial dos Monstros, acaba de fazer a maior descoberta de sua carreira como vilão. Uma fórmula secreta capaz de destruir qualquer matéria. Após o grande feito, o Barão decide se aposentar enquanto está no auge. Ele reúne, em uma festa em sua ilha particular, uma galera um tanto quanto esquisita. Entre os convidados estão o Conde Drácula, o Lobisomem, Dr. Jekyll e Sr. Hyde, a Múmia, o Homem Invisível, o Corcunda de Notre Dame, o Monstro da Lagoa Negra, a Criatura de Frankenstein e sua Noiva. Durante a reunião, o Barão decide anunciar seu sobrinho, o jovem e ingênuo Felix Flankin, como seu sucessor. Mas a galera do mal arma um plano para acabar com o herdeiro do cientista, roubar sua fórmula secreta e tomar o posto de líder dos monstros.

"A Festa do Monstro Maluco" é com certeza um dos mais cultuados longametragens de animação de bonecos (tudo bem, não existem tantos assim, mas isso não retira seu status de cult). Presença obrigatória nas Sessões da Tarde da década de 70, influenciou diretamente e indiretamente, entre outros, cineastas como Tim Burton ( "O Estranho Mundo de Jack" e "A Noiva Cadáver"). Uma pequena jóia da história do cinema, filmado em stop-motion (também batizado de animagic), "A Festa do Monstro Maluco" foi realizado por uma trupe da pesada: a direção ficou a cargo de Jules Bass (que dirigiu outro cult do stop-motion, "Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho"), o roteiro é de Harvey Kurtzman (criador da revista Mad), os personagens foram desenhados por Jack Davis (entre seus trabalhos estão a Mad e a Tales from the Crypt), os posters e anúncios da divulgação foram ilustrados por Frank Frazetta e a voz do Barão Von Frankenstein foi dublada por nada menos do que o lendário Bóris Karloff (em um de seus últimos trabalhos).

O filme em si, é uma deliciosa mistura de comédia, terror e musical. A trilha sonora é composta de jazz e rock. Num desses momentos inesquecíveis, uma simpática banda de esqueletos toca uma divertida canção chamada "Mummy" (em "A Noiva Cadáver" há uma sequência muito parecida). Enfim, altamente indicado para crianças e para nós, crianças crescidas.

Cotação:

A Festa do Monstro Maluco (Mad Monster Party, 1967, EUA)

Direção: Jules Bass.
Roteiro: Len Korobkin, Harvey Kurtzman e Arthur Rankin Jr..
Produção: Joseph E. Levine, Arthur Rankin Jr. e Larry Roemer.
Fotografia e Animação: Tad Mochinaga.
Coreógrafo: "Killer Joe" Piro.
Desenho dos personagens: Jack Davis.
Música: Maury Laws.
Edição: Tad Mochinaga.
Elenco: Boris Karloff (Barão Boris von Frankenstein, voz), Allen Swift (Felix Flankin/Yetch/Dracula/Invisible Man/Dr. Jekyll/Sr. Hyde, vozes) e Gale Garnett (Francesca, voz).
Duração: 94 mins.
Distribuição: Em DVD pela Works.
 
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