Resenha # 17: Zombie - Despertar dos Mortos

Anne Bowles e um reporter partem em direção a uma ilha tropical à procura do pai, desaparecido misteriosamente. Quando chegam no local se deparam com mortos-vivos sedentos de carne humana.

Os vários Títulos da Obra-Prima de Fulci

"Zombie - Despertar dos Mortos" (1978), o segundo filme da série clássica de zumbis de George Romero, foi lançado por Dario Argento na Itália como "Zombi". Como picaretagem não é exclusividade das distribuidoras brasileiras, os italianos aproveitaram o sucesso comercial do filme de Romero e lançaram o longa de Fulci como "Zombi 2", sugerindo que a trama fosse uma sequência. "Zombi 2" acabou sendo o título adotado em toda a Europa. Já nos Estados Unidos o título escolhido foi "Zombie Flesh Eaters". "Zumbi 2 - A Volta dos Mortos", foi o título adotado no Brasil quando o filme foi lançado em VHS na década de 80. Recentemente, a obra-prima de Fulci foi lançada em DVD por aqui pela Works, recebendo o título definitivo de "Zombie - A Volta dos Mortos".

Fulci - O Mestre

A decisão oportunista de determinar um título que fizesse referência a uma sequência de "Despertar dos Mortos" acabou colocando o filme de Fulci em segundo plano. "Zombie - A Volta dos Mortos", permaneceu, durante muito tempo, com a fama de cópia barata de "Despertar...", como uma sequência inferior do filme de George Romero. Felizmente, o longa, foi aos poucos redescoberto e valorizado pelos fãs do cinema de horror e hoje é considerado um clássico unânime.

O diretor italiano Lucio Fulci é considerado um novo mestre no genêro, podendo ser comparado a Argento ou mesmo Romero. Sua extensa carreira como diretor inclui, além do horror, filmes de ficção científica e comédias. Mas foi no terror que sua filmografia arrebatou uma legião de fãs. Entre 1980 e 1981, Fulci filmou sua enigmática trilogia dos infernos, com "Pavor na Cidade dos Zumbis" (Paura nella città dei morti viventi), "A Casa do Além" (The Beyond/E tu vivrai nel terrore) e "A Casa do Cemitério" (Quella Villa Accanto al Cimitero). Em 1982 realizou sua versão para Jack, o estripador em "O Estripador de Nova Iorque". Infelizmente Lucio Fulci faleceu em 1996.

"Zombie - A Volta dos Mortos" é um filme realizado com poucos recursos, considerados pela crítica, trash, e pelos amantes do terror, uma obra-prima. Ficou famoso pelas sequências violentas e por introduzir mortos-vivos putrefatos, com vermes saindo de suas entranhas, levantando de suas covas. Até então, nem os zumbis de Romero eram apresentados em decomposição. E duas sequências tornaram-se antológicas por sua beleza plástica. Em uma delas, um morto-vivo se degladia com um tubarão. A sequência é plasticamente muito bonita e a trilha sonora composta por Fabio Frizzi e Giorgio Tucci a torna mais onírica ainda, por mais absurda que parece a premissa de um zumbi versus tubarão. Em outra, mais apocalíptica, uma legião de mortos-vivos marcham em direção a Nova York.

O mais incrível, é que apesar do orçamento limitado, o realismo impresso nas cenas de violência é impressionante, ainda mais quando lembramos que ainda não existia cgi na época. Fulci, como muito dos cineastas italianos, ficou famoso pela violência gráfica e desenfreada, sem pudor ou qualquer procupação com censura ou em agradar ao público. O resultado, uma obra única e estilizada.

O Elenco e o Roteiro

O elenco é composto por atores praticamente desconhecidos e a fraca atuação destes não interfere na qualidade final do filme. O elenco principal é mesmo a legião de mortos-vivos, estes sim, esbanjam talento, atingindo a todos os estômagos, até aos mais calejados. O visual decomposto dos zumbis passou a ser usual nos próximos filmes do genêro, inclusive no terceiro filme da saga de Romero, "O Dia dos Mortos". Antes de "Zombie", os mortos-vivos eram apresentados apenas como pessoas comuns, cambaleando e com o rosto azul ou branco. A maquiagem tornou-se muito mais sofisticada após o filme de Fulci.

A trama, assim como nos filmes da saga de Romero, não explica a origem dos zumbis. Em alguns momentos, os nativos da ilha onde a história se desenvolve falam em vodu, mas a teoria não é confirmada em nenhum momento. O roteiro é simples e se desenvolve linearmente sem nenhuma reviravolta. Algumas questões permanecem inexplicadas e rendem alguma discussão, porém a falta de criatividade no roteiro é compensada pela violência explícita.

Diversas pseudo-continuações foram lançadas nos anos que se seguiram. O próprio Fulci se juntou ao também italiano Bruno Mattei na direção do terrível "Zombi 3" em 1988. Pra variar, não é continuação e só tem em comum com "Zombie" os mortos-vivos. "Zombie 4 - After Death" e "Zombie 5 - Killing Birds" também são falsas continuações (o primeiro na verdade chama-se "After Death", e foi realizado em 1988, no mesmo ano de "Zombi 3"), e "Killing Birds" foi realizado em 1987 (um ano antes de "Zombi 3"). Dá pra acreditar em tanta picaretagem??

Enfim, "Zombie - A Volta dos Mortos" é uma obra única imitada a exaustão nos anos 80. Não é um filme cabeça, mas é belo, violento e divertido.

Cotação:
Zombie - A Volta dos Mortos (Zombie, Itália, 1979)

Direção: Lucio Fulci.
Roteiro: Dardano Sacchetti e Elisa Briganti.
Produção: Fabrizio De Angelis e Ugo Tucci.
Música: Fabio Frizzi e Giorgio Tucci.
Fotografia: Sergio Salvati.
Edição: Vincenzo Tomassi.
Efeitos Especiais: Giovanni Corridori, Gino De Rossi e Roberto Pace.
Figurino: Giannetto De Rossi, Mirella De Rossi, Maurizio Trani e Rosario Prestopino.
Elenco: Tisa Farrow (Anne Bowles), Ian McCulloch (Peter West), Richard Johnson (Dr. David Menard), Al Cliver (Brian Hull), Auretta Gay (Susan Barrett), Stefania D'Amario (Missey, a enfermeira) e Olga Karlatos (Paola Menard).
Duração: 91 mins.
Distribuição: Em DVD pela Works.

Resenha # 16: O Caçador de Bruxas

Em 1645 a Inglaterra vive o caos de uma guerra civil. Não há ordem e os juízes locais governam a mão e ferro. É neste cenário que viveu Matthew Hopkins (Vincent Price), um cruel e violento auto-intitulado caçador de bruxas. Inocentes eram torturadas e pagavam com a morte por seu supostos envolvimentos com bruxaria. Quando a jovem Sarah é presa sob a acusação de bruxaria, seu namorado, o soldado Richard Marshall parte atrás de Hopkins em busca de vingança.

O que torna este longa mais interessante é o fato do personagem Matthew Hopkins ter realmente existido. Hopkins cometeu as maiores atrocidades durante o reinado de Oliver Cromwell, na Inglaterra puritana do século XVII. Torturava e executava inocentes por supostos envolvimentos com feitiçaria.

Um dos pontos altos desta produção é a ótima fotografia, com locações em Norfolk e Sulfolk, belas pastagens contrastando com a violência e a intolerância proposital de Hopkins. O elenco é encabeçado pelo sempre ótimo Vincent Price, num dos melhores papéis de sua carreira.

É o terceiro filme do diretor Michael Reeves, que viria a se suicidar algum tempo depois, aos 26 anos. Reeves dirigira anteriormente "Revenge of Bloody Beast" (com Barbara Steele) e "Sob o Poder da Maldade" (com Boris Karloff). O Edgar Allan Poe do título em inglês nada mais é do que oportunismo desnecessário da distribuidora. Os filmes de Roger Corman, baseado em obras de Poe, faziam muito sucesso na época. Porém não existe nenhuma ligação entre o longa e o poema "Conqueror Worm", de Poe.

O filme foi lançado em DVD no Brasil pela Works Editora, como parte integrante da coleção lançada nas bancas Darkside DVD (que lançou anteriormente vários títulos da produtora inglesa Hammer). Para ter na prateleira e curtir.

Cotação:


O Caçador de Bruxas (Edgar Allan Poe's Conqueror Worm, 1968, EUA)

Direção: Michael Reeves.
Roteiro: Michael Reeves e Tom Baker baseado num poema de Edgar Allan Poe e no livro “Witchfinder General" de Ronald Basset.
Produção: Tony Tenser e Louis M. Heyward.
Música: Paul Ferris.
Direção de Arte: Jim Morahan.
Edição: Howard Lanning.
Elenco: Vincent Price (Matthew Hopkins ), Ian Ogilvy (Richard Marshall), Rupert Davies (John Lowes), Hilary Heath (Sarah Lowes), Robert Russell (John Stearne), Nicky Henson (Trooper Robert Swallow), Tony Selby (Tom Salter), Bernard Kay (Fisherman), Michael Beint (Capt. Gordon) e Godfrey James (Webb).
Duração: 87 min.

 
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